Parque Augusta aberto

Após anos de luta por inúmeras pessoas, residentes ou não, da região central da cidade de São Paulo, o Parque Augusta foi inaugurado no dia 6 de novembro de 2021, com o nome oficial de Parque Augusta – Prefeito Bruno Covas; tem 23 mil metros de área e fica entre as ruas Augusta, Consolação, Caio Prado e Marquês de Paranaguá. Diversas frentes auxiliaram para a abertura do local, como a Samorc  (Sociedade dos Amigos e Moradores do Cerqueira César), Aliados e Organismo Parque Augusta. Em 06.04.2019 ocorreu a assinatura do termo de transferência do terreno da rua Augusta onde foi construído o Parque Augusta com as presenças do Prefeito Bruno Covas, o Promotor Público Sílvio Marques, das construtoras Setin e Cyrela e representantes das entidades que lutaram pela viabilização do espaço.
Com a assinatura da escritura, a empresa doadora da área do Parque fez a contratação do Projeto Básico e Executivo do espaço, que deverá ter como base o Estudo Preliminar. O Estudo Preliminar para implantação do Parque Augusta foi desenvolvido por DIPO – CGPABI (Divisão de Implantação, Projetos e Obras da Coordenação de Gestão de Parques e Biodiversidade Municipal) entre os anos de 2017 e início de 2019 com base em 4 projetos apresentados pela sociedade civil, moradores da região e pelos movimentos em prol da sua implantação, cujo conteúdo foi sintetizado em um único desenho, o ‘Projeto Síntese’, que organizou as ideias e aspirações deste grupo para com o parque.

A foto retrata a árdua luta de diversas vertentes da população

A apenas um quarteirão da Praça Roosevelt, que conta com uma laje de concreto, sobre um túnel, com piso liso ideal para a prática de skate e patins, o Parque Augusta tem um bosque com centenas de árvores, gramados descampados e áreas sombreadas, parquinhos para crianças e cachorródromo. É um local de contemplação e atividades menos intensas. O piso drenante de pedregulho e areia convida a caminhadas mais lentas. Não tem pista de corrida nem de ciclismo e quem chega de bicicleta pode guardar o veículo nos bicicletários. Por outro lado, tem um redário; suportes com ganchos para pendurar a rede levada pelo frequentador – e muito espaço para piquenique sob as árvores. O intenso movimento do local mostra o quanto ele foi aguardado pelos moradores da região. No local contamos com o restauro da casinha do bosque.

O movimento de ocupação do Parque ocorreu durante 2010 para buscar a abertura real do local. A partir daí movimentos como oficinas, atividades artísticas e esportivas ocorreram como uma forma de luta pela realidade do Parque. Diversas pessoas passaram a frequentar o local por ser familiar, de fácil acesso e chamar atenção no meio de tantos prédios. O local chama a atenção por representar um contraste do urbano com o natural. Assim, o Parque é algo revolucionário, pois houve uma luta de diversas frentes para buscar o verde na cidade e não mais prédios. O movimento participou de vários acontecimentos em áreas verdes da cidade de São Paulo e após um ano já se consolidou no centro da capital. Considerado um verdadeiro Oásis na cidade ele funciona como ponto de encontro, relaxamento e tranquilidade entre a movimentada Rua da Consolação e Rua Augusta.

Foram registradas 21 espécies de aves silvestres sistematicamente distribuídas em 6 ordens e 12 famílias. Com base nas listas de espécies ameaçadas consultadas (item 2.2), não foram registradas espécies ameaçadas de extinção no local. O local onde foi implantado o Parque Municipal Augusta está inserido em uma área bastante urbanizada, por este motivo apresenta espécies comuns e menos exigentes. Entretanto, apesar da baixa riqueza de espécies observada no local, o ambiente evidencia a importância da manutenção das áreas verdes urbanas para a conservação da fauna silvestre na cidade. A área do Parque passou por forte luta de diversas frentes ambientais e logísticas a partir de Movimentos de Auto Gestão, que focaram no respeito e no reconhecimento da Autogestão/ocupação do Parque, que existiu para desapropriação da área, assim lutando contra a especulação imobiliária. O apelo da população foi forte e a Rede Novos Parques SP surgiu para levantar questões que auxiliam e buscam o fortalecimento do verde na cidade.

Flora e Fauna

Destaca-se, no Parque Augusta, um bosque heterogêneo tombado pela Resolução 23/2004 do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Este bosque também é enquadrado como de preservação permanente pela Lei Municipal 10.365/1987, contando ainda com espécies arbóreas protegidas pelo Decreto Estadual 30.443/1989 que os considera patrimônio ambiental e imunes de corte.
No restante da área, onde se desenvolvia uma vegetação ruderal, foi implantado um amplo gramado, tendo sido mantidos os conjuntos arbóreos originais e criados setores com plantio de mudas de espécies arbóreas e ajardinamento. Um conjunto arbóreo composto por alfeneiro (Ligustrum lucidum), jambolão (Syzygium cumini), sagu-das-molucas (Cycas circinalis) e tamareira (Phoenix sp.) destaca-se próximo à Rua Caio Prado por ser ornamental. Foi preservada também, uma figueira-mata-pau (Ficus luschnathiana), espécie hemiepífita que se enraizou em trecho do muro histórico original do imóvel à Rua Augusta.

Bosque heterogêneo

Este bosque é tombado pela Resolução 23/2004 do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, bem como é enquadrado como de preservação permanente pela Lei Municipal 10.365/87, por “constituir bosque ou floresta heterogênea que forme mancha contínua de vegetação superior a 10.000,00 m2 (dez mil metros quadrados); por se localizar em região carente de áreas verdes e por proteger sítio de excepcional valor paisagístico, científico ou histórico”. Além disso, a vegetação arbórea do Parque é protegida pelo Decreto Estadual 30.443 de 1989 que a considera patrimônio ambiental e declara imunes de corte os exemplares arbóreos.
Neste bosque, estão presentes espécies arbóreas nativas pioneiras como canelinha- cheirosa (Nectandra megapotamica), figueira-mata-pau (Ficus luschnathiana) e tapiá- guaçu (Alchornea sidifolia), espécies frutíferas como grumixama (Eugenia brasiliensis) e pitangueira (Eugenia uniflora) e a palmeira-jerivá (Syagrus romanzoffiana).
No entanto, são as espécies arbóreas exóticas que predominam como aglaia (Trichilia havanensis), alfeneiro (Ligustrum lucidum), falsa-seringueira (Ficus elastica), falso-pau- incenso (Pittosporum undulatum), jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosifolia), sibipiruna (Poincianella pluviosa var. peltophoroides) e tipuana (Tipuana tipu); frutíferas como abacateiro (Persea americana), amoreira-preta (Morus nigra), jambolão (Syzygium cumini), mangueira (Mangifera indica), nespereira (Eriobotrya japonica), uva-japonesa (Hovenia dulcis) e palmeiras como areca-bambu (Dypsis lutescens), palmeira-de-leque-da-china (Livistona chinensis), palmeira-seafórtia (Archontophoenix cunninghamiana), palmeira-washingtonia (Washingtonia sp.), tamareira (Phoenix sp.) e tamareira-das-canárias (Phoenix canariensis), além de gimnospermas como bunya-bunya (Araucaria bidwillii), cipreste (Cupressus sp.) e pinheiro (Pinus sp.).
Desta forma, no sub-bosque, encontramos jovens espécies nativas como alecrim-de-campinas (Holocalyx balansae), embaúba (Cecropia sp.), grumixama, ipê- amarelo (Handroanthus chrysotrichus), paineira (Ceiba speciosa), palmeira-jerivá, pitangueira e tapiá-guaçu mas, quantitativamente, são as mudas de espécies exóticas como abacateiro, alfeneiro, árvore-polvo (Schefflera actinophylla), cafeeiro (Coffea arabica), falso-pau-incenso, jambeiro (Syzygium jambos), mamoeiro (Carica papaya), nespereira, palmeira-de-leque-da-china e uva-japonesa que predominam.
Ainda no sub-bosque, ocorrem espécies herbáceas e arbustivas nativas como atroveram (Ocimum carnosum), calção-de-velha (Croton fuscescens), falsa-jurubeba (Solanum scuticum), maria-pretinha (Solanum americanum), além das exóticas dracena (Dracaena marginata), guiné (Petiveria alliacea), iúca (Yucca sp.), ocna (Ochna serrulata) e pau-d’água (Dracaena fragrans).

O solo do bosque encontra-se recoberto por densa serapilheira ou por populações de espécies forrageiras adaptadas às condições de sombreamento como capim-palmeira (Curculigo capitulata), espada-de-são-jorge (Sansevieria trifasciata), maranta-cinza (Ctenanthe setosa), trapoeraba (Tradescantia fluminensis), trapoeraba-roxa (Tradescantia zebrina) e samambaias. A presença da serapilheira e o solo protegido por vegetação são condições bastante favoráveis e necessárias à manutenção dos processos ecológicos que sustentam o bosque e devem ser preservadas.
No bosque, são destaques pelo grande porte que sobressai ao dossel, um indivíduo com cerca de 1m de DAP (diâmetro do tronco a altura do peito) da espécie nativa ameaçada cedro-rosa (Cedrela fissilis), uma faveira (Peltophorum dubium) com DAP de cerca de 50cm e uma embaúba (Cecropia sp.) com cerca de 15m de altura. Dentre as exóticas, destacam-se indivíduos de bunya-bunya (Araucaria bidwillii), conífera de grande porte originária da Austrália e parente do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) e o eucalipto (Eucalyptus sp.) que aromatiza as proximidades da casa do bosque na divisa com a PUC. Há ainda uma jaqueira (Artocarpus heterophyllus) escultural e uma bela população de monstera (Monstera deliciosa).

A proposta para o bosque prevê a preservação das mudas de espécies da Mata Atlântica como, por exemplo, alecrim-de-campinas, embaúba, jerivá, paineira e tapiá- guaçu, além de plantios de enriquecimento visando a diversificação da flora com espécies arbóreo-arbustivas nativas. Para tanto, as mudas de espécies exóticas
com potencial invasor como o cafeeiro, falso-pau-incenso, nespereira, palmeira-de-leque- da-china e palmeira-seafórtia presentes no sub-bosque necessitam ser manejadas. Por outro lado, embora a frequência de árvores em fase de senescência seja alta no bosque, devido à proteção legal da fauna adulta, o plano de manejo deve estabelecer um programa de longa duração que preveja a substituição paulatina das espécies exóticas por espécies nativas do Município de São Paulo, conforme vá ocorrendo a morte dessa vertente.



Vegetação na área aberta a pleno sol

Nas frestas de piso e entre pedriscos e britas encontramos espécies herbáceas ruderais que caracterizam uma vegetação antropizada como carrapicho (Desmodium sp.), erva- de-santa-luzia (Euphorbia hirta), guanxuma–preta (Sida rhombifolia), perpétua-do- campo (Alternanthera tenella), pulguinha (Talinum paniculatum), diversas Asteraceae como arnica-do-mato (Porophyllum ruderale), picão (Bidens pilosa), serralha (Sonchus oleraceus), Tridax procumbens e Poaceae como braquiarão (Urochloa brizantha), capim-colonião (Megathyrsus maximus), grama-coreana (Zoysia matrella) e pastinho- de-inverno (Poa annua), além de espécies fugidas de cultivo como boldo-gambá (Plectranthus sp.).
Ainda, nessa área, encontram-se, desenvolvendo espontaneamente, espécies arbóreas como as nativas pioneiras aroeira-mansa (Schinus terebinthifolia) e tapiá-guaçu, assim como uma figueira-mata-pau (Ficus luschnathiana), espécie hemiepífita que se enraizou em trecho do muro histórico original do imóvel. Abundantes são as mudas de espécies exóticas de comportamento invasor como alfeneiro, amoreira-preta, ipê-de- jardim (Tecoma stans), jacarandá-mimoso e jambolão que deveriam ser objeto de ações de manejo.
Por outro lado, setores junto à Rua Augusta, à Rua Marquês de Paranaguá e à Rua Caio Prado receberam plantio de mudas de espécies como ipê amarelo (Handroanthus chrysotrichus), ipê-roxo (Handroanthus cf. heptaphyllus), mirindiba-rosa (Lafoensia glyptocarpa), pau-brasil (Paubrasilia echinata), quaresmeira (Pleroma granulosum), sabão-de-soldado (Sapindus saponaria) e sibipiruna.
Um conjunto arbóreo composto por alfeneiro, jambolão, sagu-das-molucas (Cycas circinalis) e tamareira (Phoenix sp.) destaca-se próximo à Rua Caio Prado por ser ornamental.
Como proposta para o paisagismo e ajardinamento dessa área a pleno sol, considerando que ambientes de campo são ecologicamente tão importantes quanto às florestas e visando reconstituir a fisionomia dos Campos de Piratininga, vegetação original sobre a qual a cidade de São Paulo se expandiu, seria interessante priorizar o uso de espécies campestres da flora nativa do município. Esse projeto deveria contemplar e superar as importantes funções atualmente desempenhadas pelas espécies subespontâneas braquiarão e capim-colonião que oferecem alimento para a fauna local, objetivando ampliar esses benefícios, por exemplo, propiciando a diversificação das espécies que possam vir a desempenhar essa, além de outras funções, o que favoreceria a atração de novas espécies da fauna para o local.
Além disso, a diversificação biológica, tanto no bosque como nas áreas abertas, em longo prazo, favoreceria a redução da disseminação da hemiparasita erva-de-passarinho, bastante presente nas copas das árvores, e das espécies invasoras.

O local é considerado uma conquista, após cerca de 20 anos de luta, pois esteve nas mãos de uma construtora. Porém, após um acordo o local virou público e a partir de então o bem-estar da região passou a ser aberto para a população. O Parque conta com uma bela equipe de trabalho e isso faz toda a diferença para a manutenção do ambiente pleno para uso. Logo, ele já conquistou o coração das pessoas e a tendência é de constante frequência.

Fontes: Portal Cidade de São Paulo-Verde e Meio Ambiente e Youtube;


Impactos da Pandemia em diversas vertentes

Com o acontecimento mundial, que em poucos meses alcançou todos os países do planeta, houve uma modificação no cotidiano de bilhões de pessoas e algumas reestruturações foram necessárias para ocorrer uma adaptação gradual e segura. A ameaça à saúde modificou o cotidiano de bilhões de pessoas e apresentada como um “desastre natural” houve uma desvinculação de práticas culturais, relações de dominação e decisões políticas. Diante da chegada do vírus ao Brasil, um patógeno novo e de fácil propagação foi o ponto chave para a adoção de novos processos de trabalho, que poderiam garantir o funcionamento do sistema de saúde, assim evitando sua sobrecarga.

Para entender os efeitos da epidemia de Covid-19 como um acontecimento, é importante visualizar o contexto de emergência dessa causa que, assim como outras representaram um marco na história da humanidade. A biografia conta com abismos e diversos caminhos, que podem ser alcançados a partir de um vírus. Se no início de junho de 2020 já contávamos com 6,5 milhões de infectados, sendo 2,2 milhões na Europa e 3 milhões na América, com quase 400 mil mortos em mais de 188 países, segundo a OMS. E foi no dia 17 de novembro de 2019 que tivemos o primeiro caso relatado da Covid-19 em Wuhan, capital da província de Hubei na China, o que pode retratar a multinacionalização do vírus. Esses dados localizaram o centro da pandemia naquela potência econômica que desde 2008 tem sustentado os níveis de produção e consumo globalizados dentro de um padrão de exploração intensiva de trabalho humano e recursos naturais. Um modelo que para cientistas, filósofos e parte cada vez maior da sociedade é considerado suicida e insustentável, numa relação direta com surtos virais e patologias provocadas pelo desequilíbrio ecossistêmico de interações disruptivas entre homem/natureza.

A contaminação atingiu uma proporção pandêmica com capacidade de afetar todos, assim como a globalização neoliberal. Uma vertente atingida diretamente com a Pandemia foi o mercado de trabalho, que passou a adotar a cultura do trabalho ‘Home Office’ e diversas empresas passaram a adotar esse modelo para dar continuidade durante o período de distanciamento social. O Brasil tem uma história escravagista. Os ‘‘empregados’’ se acostumaram a produzir mediante supervisão dentro de uma hierarquia”, pontuou Tamara Maia, gestora da Startup Setem – Seminário Teológico Multiplicador. Essa mudança pode provocar, entre outras coisas, transformações na estrutura física das empresas. Tamara apontou que é possível, por parte das companhias, fazer uma transferência de seus escritórios para espaços menores, assim mantendo a maior parte dos colaboradores na atuação à distância.

Unicamp

O Sistema de Saúde

Medidas de controle e organização dos sistemas e serviços de saúde

Como a base é a saúde, diversas pesquisas buscaram uma forma para retratar o monitoramento da capacidade de resposta dos serviços de saúde ao atendimento de pacientes com Covid-19. Focando nos clientes que demandam cuidados hospitalares, a disponibilidade de leitos e equipamentos teve de ser considerada de forma dinâmica; assim contemplando a incorporação de estruturas para o enfrentamento da pandemia, em conjunto com as curvas epidemiológicas e estimativas, acerca da utilização de serviços mais complexos. Com base na evolução clínica/pesquisas sobre a Covid-19, o foco passou a exploarar os sintomas de pacientes diagnosticados com diferentes perfis de gravidade.

A partir de então a análise crítica de estratégias e formulações passaram a ser empregadas no âmbito dos sistemas e serviços de saúde. Assim, houve uma contribuição para melhorar a resposta do SUS no enfrentamento da Covid-19. A análise comparada de estratégias adotadas por diferentes países, com apreciação da sua aplicabilidade e potencial de adaptação à realidade brasileira.

Algumas medidas estão sendo adotadas, em busca da diminuição da propagação da doença em todo o país, mas ainda há uma incógnita sobre como será a evolução da doença, principalmente no inverno. A epidemia pode durar e voltar em ondas.

Logo, o sistema de saúde público e privado teve de passar por adaptações, em busca de uma forma de ajuste ao contexto de emergência Tendo como base os princípios da Logística Humanitária, as operações humanitárias englobam desde processos de curto prazo em resposta a emergências agudas até assistência de médio e longo prazo, considerando cenários de escassez aguda de suprimentos essenciais, tais como equipamentos de proteção individual, kits diagnósticos e outros insumos, conforme aponta a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) vem fazendo esforços para monitorar os efeitos da pandemia de Covid-19 no mundo do trabalho, utilizando sua base de dados para estimar os riscos de impacto no emprego e na renda, derivados das medidas de distanciamento social desde o início deste ano. No Brasil, o IBGE conseguiu manter a divulgação dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) — ameaçada pela dificuldade de se cobrir a amostra em tempos de pandemia — e o Ministério da Economia retomou a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desligados (CAGED), referente ao emprego formal — suspensa desde dezembro de 2019 para adaptação ao e-Social. Diversos estudos buscaram contextualizar a realidade do emprego e da renda na conjuntura da crise, com especial atenção às formas de inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho.

Setores do mercado de trabalho atingidos pela Pandemia

Em boletim, a OIT-Organização Internacional do Trabalho, abordou o alto grau de risco econômico que os segmentos de trabalhadores e empresas foram expostos, levando em conta que as medidas de prevenção à pandemia afetaram de forma bastante diferenciada os diversos tipos de atividade econômica e segmentos do mercado de trabalho. Trabalhadores em setores voltados à manutenção das necessidades básicas da população e às ações de combate aos efeitos da Covid-19, apesar de mais expostos à contaminação, estão mais protegidos do ponto de vista econômico, enquanto aqueles sujeitos ao distanciamento social, por recomendação ou obrigatoriedade imposta pelas autoridades sanitárias dos diversos países, estão em situação inversa.

Levando em consideração os fatores de risco, envolvendo situação de emprego, tamanho das empresas e os diferentes níveis de medidas de bloqueio (total, parcial e medidas fracas), chega-se a uma estimativa de quase 1,6 bilhão de trabalhadores da economia informal, equivalente a 76% do emprego informal em todo o mundo. No Brasil a população ocupada decaiu de 93,7 milhões para 89,2 milhões e cerca de 4,5 milhões de pessoas perderam seus empregos e os prejuízos econômicos devem ser fortes. Caso seja feita uma escala de risco de prejuízos social e econômico na conjuntura da pandemia para cada categoria, devemos levar em conta dois critérios de vulnerabilidade: a) risco de perda de emprego ou fechamento e suspensão do negócio ou trabalho, no caso de profissionais autônomos e empregadores; b) ausência de acesso a benefício social e/ou crédito bancário, no caso de profissionais autônomos e empregadores informais. Assim, os empregados no setor privado com e sem carteira assinada retrataram as seguintes bases: o risco de demissão e a redução de salário. O Auxílio Emergencial foi de extrema importância para a população de baixa renda poder enfrentar as consequências da pandemia e teve papel essencial para preservar minimamente as condições de vida de boa parte dos brasileiros beneficiados.

Para inúmeros profissionais essa já era uma realidade, mas muitas das empresas não consideravam uma possibilidade, entretanto, o contexto atual proporcionou novas visões para o mercado. Diversas companhias repensaram sua cultura e valores. Diante deste modelo de negócio visto a flexibilidade, o conforto, a qualidade de vida e a economia, assim visando a flexibilidade e oferecendo agilidade e comodidade, tanto para os funcionários quanto para a empresa.

Apoio aos trabalhadores’ >Auxílio Emergencial<

O público-alvo do Programa foi bastante amplo e basicamente destinado a membros desempregados pertencentes a famílias de baixa renda, cujo principal critério é estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. Além disso, contemplou trabalhadores que estão ocupados como autônomos formais ou informais, sendo que estes últimos devem estar inscritos no Cadastro Único. Por sua amplitude, o Programa assemelhou-se ao formato de uma renda social, sem um foco específico no mercado de trabalho, uma vez que o principal critério se referiu à renda familiar. Segundo um balanço divulgado pela Caixa Econômica Federal o valor repassado à população beneficiou milhões de pessoas, desde o início de abril de 2020.
Assim, verifica-se que o Programa não apenas repôs a renda do trabalho perdida pelas categorias em questão, mas repassou um valor 10 vezes maior que o valor a ser reposto. Além disso, diversas linhas de crédito foram criadas para dar suporte às empresas, lideradas pelos bancos oficiais: Banco do Brasil, Caixa econômica, BNDES, Banco do Nordeste e da Amazônia; além de grandes bancos privados e pequenas financeiras, com oferta de crédito para diversas finalidades. Contudo, a conjuntura da Pandemia afetou o mercado financeiro e o governo já reconheceu a necessidade de flexibilizar ao máximo o acesso ao crédito para o segmento prioritário e tenta fazer com que a rede bancária possa ser eficaz em sua concessão.
Nesse momento, a oferta de crédito é alta, dada a grande disponibilidade de recursos existentes no sistema bancário, com juros cada vez mais baixos. Assim, a importância do mesmo para a conjuntura inclui o aperfeiçoamento e ampliação das medidas de flexibilização do acesso ao crédito, a retirada da exigência e manutenção dos empregos após o período de financiamento da folha de salário.
O empreendedorismo individual e formal (MEI) surpreendeu com a ampliação do seu contingente durante os dois primeiros meses da pandemia, o que parece antecipar uma tendência que deverá permanecer após a crise, em razão da tendência a uma menor geração de empregos no cenário futuro.
Isso também indica que os negócios baseados em soluções digitais, bastante demandados durante a crise, deverão liderar a criação de novos postos de trabalho, por meio do empreendedorismo. A persistência da pandemia deve projetar para a necessidade do aperfeiçoamento na concepção e implementação das ações de combate aos efeitos das medidas sanitárias, tendo em vista alcançar melhores resultados em termos de custo-benefício para o processo de manutenção e retomada da atividade econômica.

Dessa forma, a maior flexibilização no mercado empresarial, que contará com medidas restritivas em novos períodos, por conta da disseminação da doença nas comunidades de baixa renda, deve afetar os segmentos mais vulneráveis. Ao direcionar o foco para os beneficiários do Bolsa Família, que deve ser renomeado pelo governo, a complementação do benefício já concedido pode ser uma estratégia de meio termo para o enfrentamento da situação econômica nos próximos meses. Os programas de apoio voltados para as micro e pequenas empresas, além dos empreendedores individuais devem ser aperfeiçoados para a tentativa de manter o setor produtivo, assim criando um novo ciclo do desemprego e tentar alcançar assim a reposição de renda.

Logo, o grande desafio será o enfrentamento da demanda e oferta no mercado econômico. O Auxílio Emergencial tem atuado como benefício de renda social para a população e o apoio corre o risco de provocar um desequilíbrio, dificultando a retomada da atividade produtiva. A demora no socorro para as empresas deve aumentar a pressão dos empregadores pela reabertura econômica, visando a sobrevivência do mercado. As mudanças responsáveis por gerar experiências únicas, responsáveis por moldar novas realidades, evidenciaram cenários prováveis e favoráveis para o pós pandemia. Algumas tendências retrataram a inovação e reconstrução do cenário/vínculo empregatício, como:

O Home Office e as medidas compensatórias

As mudanças responsáveis por gerar experiências únicas, responsáveis por moldar novas realidades, evidenciaram possíveis cenários prováveis e favoráveis para o pós pandemia. Algumas tendências retrataram a inovação e reconstrução do cenário/vínculo empregatício.

Muitas empresas, dos mais variados portes e segmentos, conseguiram manter suas atividades durante o período de isolamento social através do mesmo.

Para inúmeros profissionais essa já era uma realidade, mas muitas empresas não o consideravam uma possibilidade, entretanto, o contexto atual proporcionou novas visões para o mercado. Diversas companhias repensaram sua cultura e valores, diante deste modelo de negócio visto a flexibilidade, o conforto, a qualidade de vida e a economia, assim visando oferecer agilidade e comodidade, tanto para os funcionários quanto para a empresa.

Daqui pra frente isso será, entre outras coisas, responsável por influenciar diversas decisões.

Disrupção educacional

O mercado educacional foi considerado um dos mais difíceis para encarar as mudanças decorrentes do cenário da Pandemia e a partir de então uma nova face foi necessária para atingir a readequação das práticas de ensino. Essa nova face, em virtude do cenário atual, impulsionou um momento de adaptação nas práticas de ensino. Dessa forma, diversas portas foram abertas para a adesão de novas ferramentas e tecnologias na esfera da educação.

Foi a partir dessa guinada que a pandemia passou a abrir mais portas para as Edtechs: abreviação de “education technology”, ou tecnologia educacional. Essas Startups de educação, que buscam oferecer novas formas de abordagem para o aprendizado a partir das vertentes da tecnologia, foram de extrema importância para diversas formas de manutenção do mercado educacional. Assim, ocorreu uma nova jornada para o mercado da educação, setor tradicional e chave para o crescimento.

A partir dessa inovação, o cenário buscou atualização e inovação para o momento e o futuro. Uma das colocações bases retratou a educação à distância, considerando as gerações cada vez mais adaptadas às tecnologias digitais

Se considerarmos as gerações cada vez mais adaptadas ao mundo digital e vantagens deste modelo de ensino, entenderemos o porquê das perspectivas serem positivas para este cenário. O grande número de horas que passamos online retrata o constante interesse em produtividade e também a ligação de professores, especialistas e mentores em busca de novas habilidades.

Economia de experiência virtual

Com inúmeras turnês, campeonatos e eventos suspensos, museus fechados e viagens canceladas por conta do isolamento social, o foco da economia de experiência passa a ser virtual e imersivo, estabelecendo uma conexão do real com o virtual através de tecnologias como realidade aumentada, assistentes virtuais e máquinas inteligentes.

Diversas formas de entretenimento migraram e ainda migrarão para o digital, gerando um aumento das experiências virtuais na esfera cultural e em setores como turismo, esportes e varejo.

Shopstreaming

O comércio eletrônico e as transmissões ao vivo, duas grandes tendências do mercado, trouxeram uma nova abordagem diante da comunidade, do entretenimento e do comércio.

Com o isolamento social, vimos o ‘Live Streaming’e as vendas on-line crescerem repentinamente. A fusão destas tendências apontam para uma nova direção em escala global do consumo on-line; assim como as conexões sociais, focadas na interação, experimentação e imediação – o famoso em tempo real.

Companhias Virtuais

O crescimento e a naturalidade das interações humanas com o mundo virtual tem estimulado o aumento das expectativas do público diante deste contato, como exemplos dos Chatbots (união das palavras em inglês chat: conversa e bot: robô), sendo um programa de computador desenvolvido para realizar conversas com humanos. Para isso, ele utiliza Inteligência Artificial para encontrar respostas e executar tarefas simples, de forma automatizada. Com o tempo, parte da população começará a buscar companhias virtuais personalizadas com o objetivo de entreter, educar e até fazer amizades.

Mindfulness e bem-estar psicológico

Os impactos vindos do excesso de conectividade e de informações por conta do uso crescente das mídias sociais e da internet móvel são notáveis. Mas agora, em frente a pandemia e ao isolamento social, nos deparamos com níveis de preocupação, estresse e angústia mental tão intensos que abrimos os braços a negócios que possam nos oferecer produtos e serviços que promovam o bem-estar mental. Assim será crescente o impulsionamento de soluções voltadas para a qualidade de vida e os negócios.

Bem-estar, ambiente e a reconfiguração dos espaços do comércio

Ao acentuar o receio e a ansiedade diante de inúmeras situações, a pandemia passou a estimular novos hábitos na população mundial. Cuidados rotineiros com a saúde, higiene e bem-estar serão as novas prioridades dos consumidores e assim, oportunidades para os negócios, que devem buscar incorporar medidas relacionadas em seus espaços físicos. Quanto a estes espaços, mesmo com o fim das restrições as pessoas prezarão pelo sentimento de segurança, exigindo que empresas invistam em estratégias focadas em transmitir a sensação de ambientes saudáveis – pontos de atenção para academias, bares e restaurantes, espaços com frequentes aglomerações.

Novos modelos de negócio

Com o sucesso e a crescente demanda pelos serviços de delivery, temos como resultado os restaurantes fantasmas (modelo de negócios criado exclusivamente para a produção de comida para restaurantes virtuais, ou seja, que vendem seus produtos exclusivamente online e por meio de aplicativos de delivery-).

Além de serem uma forte tendência para o setor, os restaurantes fantasmas surgem como excelentes oportunidades, visto que não necessitam de altos investimentos em termos de espaço, equipe e manutenção. Para inúmeros profissionais essa já era uma realidade, mas muitas das empresas não consideravam uma possibilidade, entretanto, o contexto atual proporcionou novas visões para o mercado. Diversas companhias repensaram sua cultura e valores, diante deste modelo de negócio visto a flexibilidade, o conforto, a qualidade de vida e a economia, assim visando a flexibilidade e oferecendo agilidade e comodidade, tanto para os funcionários quanto para a empresa.

E-Commerce

O comércio que aplica a inteligência artificial, une processos de compra, que estão se modificando. Ao buscarem por personalização e direcionamento, consumidores abrem as portas para a automatização. E o que já era tendência em 2018, retorna com um foco um pouco diferente: o aumento da demanda de interações sem contato.

As relações estabelecidas entre as lojas e os consumidores convergiram com os avanços da robótica, permitindo a chegada de uma nova geração do comércio automatizado. Essa representa uma nova era, que visará buscar “personalidades virtuais”?

Soluções Open Source

Os tempos difíceis compartilhados em virtude da pandemia tem provocado uma onda de cooperação global, tanto para a criação de alternativas para a propagação de informações confiáveis quanto para a criação de equipamentos para a área da saúde.

Mesmo diante de um cenário de isolamento social, o mundo nunca esteve tão unido.

Pessoas de diversas áreas do conhecimento voltaram sua atenção a um ponto em comum, dando início a diferentes práticas colaborativas. Milhares de cabeças pensam melhor que uma e a colaboração entre elas vai despertar um novo olhar do consumidor.

Desenvolvimento Assistido

A pandemia impôs muitas mudanças e o mercado foi forçado a desenvolver novas habilidades. As mesmas, que um dia foram deixadas de lado, fizeram parte da população passar a desenvolver e descobrir novas skills (habilidades), que ficaram para trás na correria do dia a dia, como cozinhar, organizar, otimizar vertentes, entre outras coisas.

A economia do on-demand (sob demanda) continuará crescendo, mas como resultado do isolamento social, foram descobertas novas fontes, que abriram inúmeras oportunidades para negócios instrutivos.

Essas são algumas das tendências que estão previstas para o cenário pós pandemia, as quais não só evidenciam inúmeras oportunidades para os negócios, mas também deixam claro a importância do processo de transformação digital dos mesmos.

Enquanto muitos olham apenas para a Covid-19, outros problemas aumentaram na sociedade, como a frieza, a violência e a solidão. E um ponto que deve ser lembrado e, com certeza, retratado é a saúde mental durante o processo da Pandemia. Algumas circunstâncias passaram a ser encaradas como realidade, como:

– insegurança com o risco de infecção e transmissão;

– a necessidade de adaptação, utilizando novos métodos de vida;

– alterações nos fluxos de saúde, deslocamento, separação e preocupação;

– Irritabilidade, angústia, impotência e tristeza;

– alteração de distúrbios base, como: sono, apetite e pensamentos recorrentes;

Diversas frentes apresentaram um Guia com cuidados para a saúde mental durante a Pandemia, começando pela OMS- Organização Mundial de Saúde

Assim, uma nova era passou a reescrever a história da humanidade, unindo transformações que enquadram fenômenos sociopolíticos e a fragilidade do ser humano. As incertezas e a fase atual, que engloba digitalização, proliferação de discursos de ódio e união de frentes, causam polêmicas que funcionam como um novo retrato da humanidade. O conceito de ‘Novo Normal’, a partir do isolamento social e a extrema fragilidade vinda de diversas vertentes passarão a constituir o século XXI. Com o andamento da situação, a ciência tem extrema importância e o Estado teria que reconhecer e auxiliar, para assim salvar vidas. O mundo já registrou mais de 1,5 milhão de mortes causadas pelo Coronavírus e os Estados Unidos lidera, seguido por Brasil, índia, México e Reino Unido. Sem esquecer de outras nações muito infectadas, como: Rússia, França, Espanha, Itália e Argentina.

Dessa forma, o mundo inteiro está focado na descoberta de um imunizante e as pesquisas estão com total força. Alguns países, como a Rússia, já iniciaram a campanha de vacinação em massa, utilizando a Sputinik V. Depois vem o Reino Unido, onde a estratégia tem sido denominada como: “V-Day”, um apelido que alude ao dia da vitória (Victory Day) contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial e, agora, a um “Vaccine Day” (Dia da Vacina). A mesma será produzida pela Pfizer/BioNTech. Contudo, países ricos estão reservando mais doses do que de fato precisam, o que vai deixar desamparada a população de países mais pobres, segundo apresentou a coalizão ‘People’s Vaccine Alliance’ (Aliança da Vacina do Povo).

A mesma coalizão citou o caso da vacina da empresa chinesa Sinovac, sendo produzida no Brasil pelo Instituto Butantan – e peça central de uma disputa política entre o governador paulista, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro, que apresenta uma única vacina, destinada exclusivamente a países em desenvolvimento (no meio do caminho entre os mais ricos e os mais pobres), como a própria China e o Brasil. Indonésia, Turquia e Chile também planejam usar a vacina da Sinovac em suas populações.

Até o momento, a contaminação atingiu com mais força os Estados Unidos, que contou até o momento com 15 milhões de casos, grande número de mortes e o presidente eleito, Joe Biden, prometeu a aplicação de 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 nos 100 primeiros dias de seu governo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) retratou com exclusividade à BBC News Brasil que a vacinação obrigatória pode ser uma opção adotada por países com baixa adesão espontânea e níveis “inaceitavelmente altos” de contágio pela doença.

O órgão também retratou que programas de vacinação obrigatória, com a finalidade de salvar vidas, devem ser conduzidos com “extremo cuidado” e chamou atenção especial para penalidades, já que elas podem estimular desigualdades sociais e de saúde. Assim, a vacina não precisaria seguir a obrigatoriedade, mas governos deveriam oferecer a imunização gratuita. Dessa forma a população teria de usar o discernimento para utilizar a mesma. Do lado político, uma grande discórdia ocorre entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – enquanto o primeiro já defendeu publicamente a obrigatoriedade da imunização, o segundo insiste que esta é uma decisão individual. Logo, estratégias deveriam ser aplicadas e a partir do modelo de confiança a população poderia optar pelo ponto mais plausível.

O governo do estado de São Paulo anunciou que pretende dar início à imunização contra a Covid-19 em janeiro, quando começará a ser aplicada a vacina CoronaVac no Estado. O imunizante está sendo desenvolvido no Brasil pela chinesa Sinovac, sua fabricante, em parceria com o Instituto Butantan, que é ligado ao governo paulista e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os testes de eficácia da CoronaVac ainda não foram concluídos, mas a expectativa é que isso ocorra com o braço brasileiro da pesquisa até o próximo dia 15 e a partir de então pedir o registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A vacinação em São Paulo começa por grupos prioritários – profissionais de saúde, idosos com 60 anos ou mais de idade, quilombolas e indígenas, público da fase 1. Essa primeira etapa, que vai atingir no total 9 milhões de pessoas, vai de 25 de janeiro a 28 de março, em escala por faixa etária durante essas nove semanas, com cada indivíduo recebendo duas doses.

O cronograma terá cinco etapas de vacinação a partir do início da campanha. A estimativa do governo de São Paulo é que quase 20% dos 46 milhões de habitantes do Estado estejam imunizados com duas doses da Coronavac até o fim de março.

Possível reinfecção

O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de reinfecção pelo novo coronavírus no Brasil, registrado no Rio Grande do Norte. Apesar de centenas de casos suspeitos, a pasta informou que, conforme critérios estabelecidos, os resultados laboratoriais permitem confirmar que se trata do primeiro registro efetivo no país de uma mesma pessoa duas vezes contaminada. De acordo com as informações divulgadas pela Secretaria de Saúde do RN, o caso foi confirmado por meio da metodologia da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em nota, o Ministério da Saúde alertou que o caso reforça a necessidade da adoção do uso contínuo de máscaras, higienização constante das mãos e o uso de álcool em gel. “O Governo Federal está buscando o mais rápido possível a vacina confiável, segura e aprovada pela Anvisa, para que todos os brasileiros que desejarem possam ser imunizados”, acrescentou a pasta.

Glossário

Skills: Habilidades;

Mindfulness: tradução da palavra Sati, que é definida como “a capacidade de se lembrar”; Psicologia da Atenção Plena; envolve empatia, inteligência emocional e autoconhecimento;

Fontes: Folha+/dirigida; Le Mond Dilomatique Brasil; ANESP: Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental; Fundação Oswaldo Cruz; ValorInvest/Globo; Saúde Business; Fiocruz- Fundação Oswaldo Cruz, BBC News Brasil, Uol e Jornal da USP.

Pandemia de COVID-19 e sua repercussão

Os coronavírus (CoV) são uma grande família viral, conhecidos desde meados dos anos 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Geralmente, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves e moderadas, semelhantes a um resfriado comum. A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem, o que não tem ocorrido com esse novo Corona. Os coronavírus comuns que infectam humanos são alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Alguns coronavírus podem causar síndromes respiratórias graves, como a síndrome respiratória aguda grave que ficou conhecida pela sigla SARS da síndrome em inglês “Severe Acute Respiratory Syndrome”. SARS é causada pelo coronavírus associado à SARS (SARS-CoV), sendo os primeiros relatos na China em 2002. O SARS-CoV se disseminou rapidamente para mais de doze países na América do Norte, América do Sul, Europa e Asia, infectando mais de 8.000 pessoas e causando entorno de 800 mortes, antes da epidemia global de SARS ser controlada em 2003. Desde 2004, nenhum caso de SARS tem sido relatado mundialmente.

Em 2012, foi isolado outro novo coronavírus, distinto daquele que causou a SARS no começo da década passada. Esse novo coronavírus era desconhecido como agente de doença humana até sua identificação, inicialmente na Arábia Saudita e, posteriormente, em outros países do Oriente Médio, na Europa e na África. Todos os casos identificados fora da Península Arábica tinham histórico de viagem ou contato recente com viajantes procedentes de países do Oriente Médio – Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Jordânia.

Pela localização dos casos, a doença passou a ser designada como síndrome respiratória do Oriente Médio, cuja sigla é MERS, do inglês “Middle East Respiratory Syndrome” e o novo vírus nomeado coronavírus associado à MERS.

Manifestações Clínicas

Os coronavírus humanos comuns causam infecções respiratórias brandas a moderadas de curta duração. Os sintomas podem envolver coriza, tosse, dor de garganta e febre. Esses vírus algumas vezes podem causar infecção das vias respiratórias inferiores, como pneumonia. Esse quadro é mais comum em pessoas com doenças cardiopulmonares, com sistema imunológico comprometido ou em idosos.
O MERS-CoV, assim como o SARS-CoV, causam infecções graves.

Período de incubação

Isolamento social é visualizado por muitos como férias, mas esse não é o momento de viagens e confraternizações. Ficar em casa é mais que um ato de higiene, mas algo humanitário, de respeito ao próximo e à família, aos amigos e conhecidos. Segundo o infectologista e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado de São Paulo, as medidas de restrição são fundamentais para retardar a evolução do vírus, diminuindo assim o número de infectados em todo o país. Segundo os infectologistas o pico do número de infectados deve acontecer entre abril e maio.

Período de Transmissibilidade

De uma forma geral, a transmissão viral ocorre apenas enquanto persistirem os sintomas É possível a transmissão viral após a resolução dos sintomas, mas a duração do período de transmissibilidade é desconhecido para o SARS-CoV e o MERS-CoV. Assim o período de 14 dias deve ser respeitado, quando já se tem o diagnostico da doença. Com relação aos casos assintomáticos, ainda não foi confirmada se a transmissibilidade do vírus acontece ou não.

Transmissão inter-humana

Todos os coronavírus são transmitidos de pessoa a pessoa, incluindo os SARS-CoV, porém sem transmissão sustentada. Com relação ao MERS-CoV, a OMS considera que atualmente há evidência bem documentada de transmissão de pessoa a pessoa, porém sem evidencias de que ocorra transmissão sustentada.

Modo de Transmissão

De uma forma geral, a principal forma de transmissão dos coronavírus se dá por contato próximo. de pessoa a pessoa.

*Definição de contato próximo: Qualquer pessoa que cuidou do paciente, incluindo profissionais de saúde ou membro da família; que tenha tido contato físico com o paciente; tenha permanecido no mesmo local que o paciente doente (ex.: morado junto ou visitado).*

Fonte de infecção

A maioria dos coronavírus geralmente infectam apenas uma espécie animal ou, pelo menos um pequeno número de espécies proximamente relacionadas. Porém, alguns coronavírus, como o SARS-CoV podem infectar pessoas e animais. O reservatório animal para o SARS-CoV é incerto, mas parece estar relacionado com morcegos. Também existe a probabilidade de haver um reservatório animal para o MERS-CoV que foi isolado em camelos e morcegos.

Isolamento Domiciliar

Período de Transmissibilidade

A OMS emitiu o primeiro alerta para a doença em 31 de dezembro de 2019, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes, sétima maior cidade da China e número 42 no mundo . O tamanho é comparável com a cidade de São Paulo, que tem mais de 12 milhões de habitantes.

O surto inicial atingiu pessoas que tiveram alguma associação a um mercado de frutos do mar em Wuhan – o que despertou a suspeita de que a transmissão desta variação de coronavírus ocorreu entre animais marinhos e humanos. O mercado foi fechado para limpeza e desinfecção.

O que é responsável pela transmissão?

Ainda não se sabe como se deu a primeira transmissão para humanos. A suspeita é que tenha sido por algum animal silvestre. O tipo de animal e a forma como a doença foi transmitida ainda são desconhecidos. Uma hipótese é que o novo vírus esteja associado a animais marinhos. Entretanto, ao menos duas pesquisas apontam outras possibilidades: uma delas cita a cobra e, outra, os morcegos.

Onde estão as infecções?

A maioria dos casos está na China, mas há registros em dezenas de países de 4 continentes. Na China, a doença foi registrada em todas as províncias do país, incluindo o Tibete, a última a registrar casos. A maior parte dos infectados estão na província central de Hubei. No país, a redução da poluição atmosférica causada pela epidemia de Covid-19 provavelmente salvou vinte vezes o número de vidas perdidas devido à doença.

Onde ocorreu a primeira morte?

Na China, em 9 de janeiro um homem de 61 anos foi a primeira vítima. O paciente foi hospitalizado com dificuldades para respirar e pneumonia grave, e morreu após uma parada cardíaca. Naquele momento, 41 pessoas já haviam se infectado. Atila Iamarino, biólogo e doutor em microbiologia, explica que as projeções são feitas em cima de fatores como o comportamento da população diante da doença, quantas pessoas entram em contato umas com as outras e como o vírus se espalha. Baseada no histórico de países como China, Espanha ou Itália, as projeções estão tentando ser desenhadas aqui. Porém, Iamarino lembra que no Brasil o vírus terá que encarar: as favelas, que abrigam 13,6 milhões de pessoas. As comunidades do Rio de Janeiro já começaram a distribuir kits de higiene e usar os meios de comunicação internos para uma arrecadação de recursos, intitulada: Pandemia com Empatia.

Como ocorre a transmissão?

Segundo o infectologista, Dr. Leonardo Weissmann, a capacidade de transmissão do vírus ainda precisa ser esclarecida. Segundo Informe da Sociedade Brasileira de Infectologia, atualizado em 12/03/2020, a COVID-19, nova doença causada pelo coronavírus (denominado SARS-CoV-2), é uma pandemia. O momento no Brasil é de prudência, não pânico. A primeira fase epidemológica da COVID-19 é de “casos importados”, em que há poucas pessoas acometidas e todas regressaram de países onde há epidemia. A segunda fase é de transmissão local e a terceira é de transmissão comunitária, quando o número de casos aumenta exponencialmente.


g1.globo.com

Em artigo, o Filósofo Italiano, Domenico de Masi retrata que o Coronavírus anunciou uma revolução no modo de vida que conhecemos. A transformação no planeta será profunda e afetará diretamente as relações econômicas e sociais. “Subitamente nos descobrimos frágeis pigmeus diante da onipotência imaterial de um vírus que, por vias misteriosas, escapou de um morcego chinês para vir matar homens e mulheres em nossas cidades”. Ele ainda reitera que deter a globalização é como se opor a força da gravidade e vivemos numa ‘aldeia global’, onde nenhum país é uma ilha. Além disso, o intelectual italiano faz questão de reiterar as mudanças dinâmicas no mercado de trabalho.No Brasil, o Coronavírus deve seguir a curva de países europeus e São Paulo prevê até 9 milhões de infectados.


O filósofo italiano Domenico de Masi, pouco depois de visitar Lula na prisão (foto: Ricardo Stuckert)

Eventos cancelados e adiados

Diante da Pandemia diversos eventos mundiais foram cancelados e o primeiro exemplo vem do Papa Francisco e da Basílica São Pedro, que foi fechadas para turistas e visitantes, bem como todas as lojas consideradas ‘não essenciais’. Isso inclui atividades culturais, como shows, festivais, espetáculos de teatro e lançamentos de filmes. O Lollapalooza Brasil, que aconteceria nos dias 3, 4 e 5 de abril no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, acontecerá nos dias 4, 5 e 6 de dezembro. Além disso, outros eventos musicais, de moda e arte foram adiados, como o São Paulo Fashion Week e o Hair Brasil. Locais muito relevantes para esse mercado, como o Centro Cultural Fiesp, Auditório Ibirapuera, Sesc e o Itaú Cultural também suspenderam, cancelaram ou modificaram as datas das atividades.

Apesar disso, algumas opções passaram a ser disponibilizadas para o público, como cursos online de idiomas, yoga e artes. Além da apresentação de diversos artistas, fazendo shows e performances em transmissões nas redes sociais, museus criam exposições virtuais e editoras e plataformas liberam livros e filmes gratuitos online, tudo para aliviar o isolamento.

>>>Emergência Global<<<

Esta foi a quinta vez que a organização decretou estado de emergência global para uma epidemia viral. As decisões anteriores foram tomadas para o zika vírus, a gripe H1N1, a poliomielite e o ebola.

A OMS diz que entende como emergência pública internacional apenas eventos extraordinários, quando há um risco para a saúde pública em outros países, devido à propagação de doenças, exigindo uma ação coordenada.

Supõe uma situação grave, repentina, incomum ou inesperada, que tem repercussões para a saúde pública além das fronteiras nacionais do Estado afetado e que pode exigir uma ação internacional imediata.

A maioria de nós não passou diretamente nem por uma guerra, golpe militar, nem por um toque de recolher. No entanto, no final de março, quase 3 bilhões de habitantes já estavam confinados, com frequência em condições extremamente difíceis; a maioria não eram escritores observando a camélia em flor em torno de sua casa de campo. Aconteça o que acontecer nas próximas semanas, a crise do coronavírus já impactou a vida de todos no planeta e após isso nada será como antes. Os líderes políticos são forçados a levar isso em conta, pelo menos parcialmente. Dessa forma, a União Europeia acaba de anunciar a “suspensão geral” de suas regras orçamentárias; o presidente Emmanuel Macron adiou uma reforma previdenciária que iria prejudicar a área da saúde; o Congresso dos Estados Unidos votou o envio de um cheque para a maioria dos norte-americanos. Mas há pouco mais de dez anos, para salvar seu sistema em perigo, os liberais já haviam aceitado um aumento espetacular do endividamento público, a ampliação orçamentária, a nacionalização dos bancos, o restabelecimento parcial do controle dos capitais.

Segundo estudos, o Coronavírus no Brasil segue a curva de países Europeus e São Paulo prevê até 9 milhões de infectados e os números compõe uma curva de crescimento da pandemia muito parecida com a de países da Europa, como Itália, França e Espanha, onde milhares de pessoas já morreram. A Alemanha tem se mostrado uma exceção até o momento, com uma baixa taxa de letalidade diante dos outros países e em conjunto com os sul-coreanos, realiza testes em massa e assim tenta barrar a pandemia. Somente no estado de São Paulo, epicentro dessa pandemia, há diversas confirmações de casos e óbitos. Segundo Alerta da OMS os Estados Unidos se tornou o futuro epicentro da pandemia de coronavírus no mundo e o foco de disseminação da Covid-19 é o estado de Nova York, que concentra metade dos casos. Mesmo assim, os Estados Unidos têm testado pessoas em marcha lenta, quando comparado com outros países desenvolvidos – o que indica que o crescimento de casos no país pode estar ocorrendo ainda mais rápido do que as estatísticas oficiais demonstram. Em Nova York, os restaurantes e o comércio foram fechados no fim de semana, bem antes de o presidente Donald Trump adotar uma abordagem mais rigorosa. Contudo, o bilionário fundador da Microsoft: Bill Gates, é um dos críticos ao presidente americano e reitera: ‘É difícil dizer às pessoas para continuarem a frequentar restaurantes e ignorarem a pilha de corpos na esquina. Dizer que queremos que o cidadão continue gastando, porque há um político que pensa que o PIB é tudo o que vale, disse Gates.

Fique atento!

A infecção por coronavírus (Covid-19) é uma doença de baixa letalidade. Dados da OMS mostram que 80% dos casos são leves. A maior preocupação é quando a doença atinge idosos ou pessoas com doenças crônicas, pois a recuperação é complicada e na maioria dos casos não acontece. Contudo, como tem sido noticiado ela pode atingir todas as faixas etárias.

Quarentena/Lockdown

De acordo com a portaria n.º 356 do Ministério da Saúde, a quarentena tem como objetivo “garantir a manutenção dos serviços de saúde em local certo e determinado”, sendo adotada por até 40 dias ou podendo ser estendida pelo período necessário para diminuir a transmissão comunitária.

Para além disso, esta medida deve ser decretada por um “ato administrativo formal” e ser editada pelos secretários municipal ou estadual de Saúde, o ministro da Saúde ou por prefeitos, governadores ou então o presidente da República.

Isolamento

Já o isolamento é recomendado por até 14 dias, podendo ser estendido de acordo com os resultados dos exames. Neste caso, o isolamento é direcionado aos casos confirmados, ou possíveis, caso tenham tido contato próximo com casos positivos da Covid-19.

Wanderson de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, indicou que tanto o isolamento quanto a quarentena são medidas de saúde pública e que “não vai ter ninguém controlando as ações das pessoas, ele é um ato de civilidade para proteção das outras pessoas”.

Distanciamento social

No dia 20 de março de 2020, o Ministério da Saúde declarou que havia a transmissão comunitária do novo coronavírus em território brasileiro, fazendo apelo às autoridades nacionais para que promovam medidas de distanciamento social, como o cancelamento de eventos para evitar aglomerações.

Segundo especialistas, uma distância de 1.5m é segura o suficiente, sendo possível reduzir a velocidade de propagação do novo coronavírus, já que a transmissão é feita através do contato com gotículas expelidas por uma pessoa infectada.

Hospitais de Campanha

A ameaça tem levado órgãos públicos do País inteiro a criar com rapidez novos leitos de UTI para atender os casos graves de pacientes diagnosticados com a doença, já que necessitam de respiração mecânica. Por isso, em São Paulo, o maior centro de exposições do Brasil, o Anhembi, está sendo convertido em um grande hospital de campanha da Prefeitura de São Paulo, com várias camas. Serão 1.800 leitos de baixa e média complexidade, para pacientes com o Covid-19 encaminhados por prontos socorros e unidades básicas de saúde (UBS’s).


Hospital de Campanha: Complexo Anhembi

Outro hospital de campanha bem adiantado em São Paulo é no estádio do Pacaembu. As obras no local estão avançadas e já tem divisórias para 200 leitos. A prefeitura não precisou a data da conclusão do hospital, mas deu prazo de no máximo 10 dias para conclusão do espaço. A unidade atenderá pacientes de baixa complexidade.

Hospital de Campanha: Estádio do Pacaembu

O Hospital Albert Einstein também está reforçando o número de funcionários e está dobrando o número de leitos na UTI. Alguns pacientes vão ser atendidos em um hospital de campanha, que está sendo erguido no estacionamento do hospital.

Dois tipos de distanciamento social, que podem e devem ser adotados diante de uma Pandemia são:

Vertical: isolamento de apenas um grupo de pessoas.

Horizontal: não há seleção de grupos específicos, sendo recomendado que todos fiquem em casa.

A partir dessa movimentação um Grupo de pesquisa em biotecnologia do Instituto de Pesquisas da Galileia, em Israel, já está no estágio final para o teste de uma vacinal oral. Dessa forma, a partir de agora diversas empresas e pesquisadores irão focar na descoberta de uma vacina. Segundo a OMS, (Organização Mundial da Saúde), até agora ao menos 54 pesquisas de vacinas estão em andamento em todo mundo. Para chegar a uma vacina efetiva, os pesquisadores precisam percorrer diversas etapas. Entre elas está a pesquisa básica – que é o levantamento do tipo de vacina que pode ser feita. Depois, passam para os testes pré-clínicos, que podem ser in vitro ou em animais, para demonstrar a segurança do produto; e depois para os ensaios clínicos, que podem se desdobrar em outras quatro fases:

  • Fase 1: feita em seres humanos, para verificar a segurança da vacina nestes organismos
  • Fase 2: onde se estabelece qual a resposta imunológica do organismo (imunogenicidade)
  • Fase 3: última fase de estudo, para obter o registro sanitário
  • Fase 4: distribuição para a população

Assim, esse é um momento mundial de extremo isolamento, contudo, a população já vem mantendo uma espécie de retiro/afastamento há algum tempo. Esse encolhimento pode ser resultado de insegurança com o mundo em diversos aspectos, que incluem a política, economia, saúde, educação, entre outros aspectos. O individualismo é algo em constante crescimento e questionamento, pois atualmente o mundo está cada dia mais virtual. Hoje é tempo de WhattsApp, Twitter, Facebook, Tumblr, Blog, Vlog, Instagram, Gps móvel, entre outras coisas. A população se afastou, mas não se desconectou. O mundo se desconectou da realidade, assim o virtual vira o real e o real vira o virtual. A sensação não obstrui a solidão e a constante incógnita, que pode ser encontrada em diversas almas.

Segundo o conhecido médico Dr. Dráuzio Varella a disseminação avassaladora da COVID-19 no Brasil ocorreu no carnaval. “Nós fomos muito benevolentes com essa doença, fomos otimistas demais. Eu mesmo me penitencio por isso”, afirmou na entrevista cedida no “Ao Vivo em Casa”, uma série de lives feitas pela Folha de São Paulo.

“Agora teremos a disseminação da epidemia, que aconteceu com as pessoas que trouxeram o vírus de fora”.

Ele citou o exemplo de países da Europa, principalmente para mencionar os riscos na demora para agir na contenção da pandemia. “A Espanha está do lado da Itália [epicentro do coronavírus na Europa] e, quando a Itália decretou o isolamento para a população, os espanhóis fizeram aquela Marcha Para as Mulheres, com 200 mil mulheres no centro de Madri. Como admitiram aquilo? Como nós fizemos o Carnaval? ”, concluiu.

“ A vida normal vai demorar muito tempo a voltar”. Os médicos que debatem sobre este assunto dizem que: a vida só voltará ao normal após a vacina contra a COVID-19 ser desenvolvida, e a previsão disto é em um período de 1 ano e meio em média, é o que aceitam a maioria dos médicos.

De qualquer forma a incógnita estará presente até que a possível vacina apareça, pois a Pandemia existe e diversos especialistas trabalham na origem do vírus, mas a fonte inicial é uma constante incógnita. A posição da OMS também aponta para sua origem animal (e para) que não tenha sido manipulado nem construído em laboratório ou em outro lugar.

Quarentena é vida

Um estudo da Universidade de Brasília (UNB) estimou que a região da grande São Paulo teria 38.583 infectados em dois meses, se não houvesse nenhuma medida de isolamento social. O governo do Estado de São Paulo implementou medidas para distanciamento social, contrariando o presidente Jair Bolsonaro, que quer flexibilizá-las. Como base de comparação, o número de óbitos por covid-19 estimado pela pesquisa, no cenário sem nenhum isolamento social, seria o quádruplo dos homicídios dolosos na capital — a média de homicídios dolosos na região metropolitana de São Paulo em 2019 foi de 47 pessoas por mês (em dois meses, foram 94 assassinatos, ou seja, 3,8 vezes menos do que as 357 mortes pelo coronavírus, conforme o estudo da UNB). Logo, quem seguir as medidas de restrição, como as que foram adotadas, são fundamentais para retardar a evolução do vírus, diminuindo assim o número de infectados em todo o país. De acordo com as projeções dos infectologistas que atuam no Centro de Contingência do Coronavírus no Estado de São Paulo, o pico do número de infectados deve acontecer entre os meses de abril e maio.

A pesquisa usou dados dos casos de Wuhan (China) e da demografia da população de São Paulo (caraterísticas dos cidadãos), para calcular o efeito da doença na região metropolitana com 21,5 milhões de pessoas. O período da previsão da pesquisa é de dois meses — da “invasão da doença” na região até 60 dias depois. A data da invasão, quando o vírus se prepara para instalar na cidade, não foi calculada, mas é estimada no início de março. Ou seja, a previsão é, aproximadamente, daí até o final de abril e início de maio. Entre os seus autores estão três pesquisadores que trabalhavam no Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde até o meio de março.

A partir dessa movimentação um Grupo de pesquisa em biotecnologia do Instituto de Pesquisas da Galileia, em Israel, já está no estágio final para o teste de uma vacinal oral. Dessa forma, a partir de agora diversas empresas e pesquisadores irão focar na descoberta de uma vacina. Segundo a OMS, (Organização Mundial da Saúde), até agora ao menos 54 pesquisas de vacinas estão em andamento em todo mundo. Para chegar a uma vacina efetiva, os pesquisadores precisam percorrer diversas etapas. Entre elas está a pesquisa básica – que é o levantamento do tipo de vacina que pode ser feita. Depois, passam para os testes pré-clínicos, que podem ser in vitro ou em animais, para demonstrar a segurança do produto; e depois para os ensaios clínicos, que podem se desdobrar em outras quatro fases:
Fase 1: feita em seres humanos, para verificar a segurança da vacina nestes organismos
Fase 2: onde se estabelece qual a resposta imunológica do organismo (imunogenicidade)
Fase 3: última fase de estudo, para obter o registro sanitário
Fase 4: distribuição para a população

Assim, esse é um momento mundial de extremo isolamento, contudo, a população já vem mantendo uma espécie de retiro/afastamento há algum tempo. Esse encolhimento pode ser resultado de insegurança com o mundo em diversos aspectos, que incluem a política, economia, saúde, educação, entre outros. O individualismo é algo em constante crescimento e questionamento, pois atualmente o mundo está cada dia mais virtual. Hoje é tempo de WhattsApp, Twitter, Facebook, Tumblr, Blog, Vlog, Tinder, Instagram, Gps móvel, entre outras coisas. A população se afastou, mas não se desconectou. O mundo se desconectou da realidade, assim o virtual vira o real e o real vira o virtual. A sensação não obstrui a solidão e a constante incógnita, que pode ser encontrada em diversas almas.

Fontes: Uol, Ministério da saúde, Revista Fórum, Informe SBI-Sociedade Brasileira de Infectologia e AMB: Associação Médica Brasileira, Estadão, Folha de São Paulo, Globo.com e Le Mond Diplomatique Brasil.

*Raul Seixas: o início, o fim e o meio* >Bar do Kaká- QG Raulseixista em SP<

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) viveu 44 anos, produziu intensamente (cantor, produtor, multi-instrumentista) e foi autor de mais de 300 canções, utilizando a constante energia. Segundo ele, através da música queria atingir todas as estruturas, por isso trouxe um som de fácil comunicação e atenção, para assim levar a mensagem que queria transmitir. Ainda em Salvador, Raul era grande fã de Elvis Presley e inspirado no Rock and Roll americano formou a ‘Raulzito e os Panteras’, banda que serviu de apoio para Jerry Adriani, Wanderléa, Roberto Carlos e os outros integrantes foram Eládio Gilbraz, Mariano Lanat e Carleba. Como uma espécie de derivado do Elvis Presley, ele sobe no palco do ‘Festival Internacional da Canção, com Let me Sing. As gravações ocorreram no final do ano de 1967 e seu lançamento, no início de 1968, pela gravadora. Raul Seixas, ainda conhecido apenas por “Raulzito”, assina oito das 12 canções do disco. As vendas do disco foram consideradas baixas, o que resultou no fim do grupo. O álbum ‘Sociedade da Grã ordem Kavernista’ foi considerado uma ruptura definitiva e a partir do mesmo Raul passaria a retratar o ‘seu eu’.

Raul Seixas, Eládio Gilbraz, Mariano Lanat e Carleba: primeira banda do maluco beleza

Raul, também chamado de Pai do Rock Brasileiro tinha algumas características primordiais e únicas, que marcaram seu crescimento e história na arte, como: o sarcasmo, a leitura crítica da sociedade brasileira e a inventividade musical. Um bom exemplo base é Dr. Pacheco. Canção que começa como Pink Floyd e termina como Beatles. Segundo Paulo Coelho, eles viviam juntos e pode ser retratado como um personagem de extrema importância na história de Raul. Ele é letrista de diversos sucessos e os dois também compartilhavam o interesse por ficção científica, misticismo e magia criando juntos a ‘Sociedade Alternativa’. Existe a desconfiança sobre Raul Seixas ter entregado Paulo Coelho para a ditadura militar, mas segundo o Jornalista e estudioso do Raul, Jotabê Medeiros, houve uma reaproximação a partir de um contrato já assinado. Sobre o caso, o mesmo contou com julgamentos morais e isso pode ser considerado pelo próprio Jotabê uma espécie de réplica do comportamento da própria ditadura.

Palavras de Jotabê Medeiros: ‘A compreensão da grandeza dele escapava, ficava como um personagem meio folclórico e pra mim formou um outro mosaico. Com um Raul mais consciente do papel dele na vida do país e também aflito com as próprias contradições pessoais. Ele representa um personagem muito rico, que vai viver pra sempre’.

Por outro lado, o escritor e amigo de Raul, Paulo Coelho, fez questão de retratar pelas redes sociais sua desconfiança com relação aos documentos apresentados por Jotabê Medeiros, dizendo que Raul tinha lhe denunciado.

Palavras de Paulo Coelho: ‘O que se passou entre Raul e eu fica entre nós’.

Paulo Coelho havia compartilhado uma matéria da Folha de São Paulo, que falava de um trecho do livro de Jotabê Medeiros, em que são apresentados documentos que comprovariam que Paulo Coelho foi preso dias depois de Raul prestar depoimento aos militares.

Tweet de Paulo Coelho

Começo a ter sérias dúvidas dos documentos que o Jotabê Medeiros me enviou, dizendo e insistindo que Raul tinha me denunciado (emails arquivados)
O que se passou entre Raul e eu fica entre nós. Vou deletar o tweet da FSP
Acho que o cara quer apenas vender a porra do livro

— Paulo Coelho (@paulocoelho) October 24, 2019

Segundo Sylvio Passos, Paulo Coelho foi o parceiro mais emblemático de Raul e diversas histórias sobre a relação de ambos são contadas. Segundo Sylvio: “Ninguém vai ficar compondo durante 5 anos se não tiver um grau de amizade, maior ou menor e ambos assumiam que eram amigos e inimigos. Eles nunca deixaram de se falar e em 87/88, quando Paulo lançou ‘O Diário de um mago’ veio até São Paulo-Butantã, onde Raul morava. Ele queria continuar compondo com Paulo, mas o universo dele nunca foi a música e sim a Literatura”. A Literatura do Paulo é para as massas, popular. Recentemente o Jornalista Jotabê Medeiros e Paulo Coelho trocaram farpas pelo Twitter e segundo Sylvio esse fato pode ser representado como um Marketing puro, maculando a imagem de Raul. O grande amigo de Raul Seixas recomenda: ‘Se você quiser se introduzir no universo do Raul comece pelo próprio Raul e o livro se chama: ‘O Baú do Raul Revirado’ e ‘Raul Seixas por ele mesmo’.

*** Logo na faixa que abre seu primeiro LP solo, Krig-ha, bandolo! (1973), esse baiano excêntrico, inventou um inseto-terrorista disposto a se tornar, como o próprio compositor, uma encrenca para os generais. “E não adianta vir me dedetizar/ pois nem o DDT (sigla de diclorodifeniltricloroetano) é o primeiro pesticida moderno, tendo sido largamente usado durante e após a Segunda Guerra Mundial para o combate aos mosquitos vetores de doenças como malária e dengue. pode assim me exterminar / porque cê mata uma e vem outra em meu lugar”, dizia a letra de “Mosca na Sopa”.

Raul Seixas tinha um estilo musical que era chamado ‘contestador e místico’ e isso se deve aos ideais que defendia, como a Sociedade Alternativa, apresentada no álbum Gita, Raul se interessava por filosofia (principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história, literatura e latim. Algumas ideias dessas correntes foram muito aproveitadas em sua obra e ele conseguiu gozar de uma audiência relativamente alta durante sua vida.

A canção driblou a censura, bem como “Ouro de Tolo”, o hino desabafo que ironizava a alienação característica de quem se contentava em comprar um corcel zero-quilômetro enquanto a violência da repressão se difundia pelo país. O título do disco, no entanto, chamou atenção da polícia, e tanto Raul quanto seu parceiro, o letrista Paulo Coelho, foram levados ao Dops no início de 1974. “O que significa Krig-ha, bandolo!?”, quis saber o policial. “Cuidado com o inimigo!”, respondeu Paulo Coelho, segundos antes de perceber o duplo sentido da frase. Os policiais não acreditaram quando ele jurou que era apenas um grito de guerra proferido por Tarzan nos quadrinhos. “Que inimigo, o governo?”. No DOI-Codi, também perguntaram sobre uma tal Sociedade Alternativa, citada num gibi encartado no álbum. Com esse nome, só podia ser uma organização subversiva, vinculada a algum grupo de esquerda.

A casa de Raul foi invadida por agentes em busca de documentos que comprovassem a existência da sociedade. Paulo Coelho apanhou na prisão. Àquela altura, o segundo álbum de Raul, Gita, já estava na prensa, com uma foto do cantor usando uma boina de Che Guevara na capa e, o que era pior, com a música Sociedade Alternativa, também de Raul e Paulo, com o verso protesto “faça o que tu queres, pois é tudo da lei”. “Sociedade Alternativa” foi vetada nos shows, inaugurando não apenas um período de perseguição que renderia duas dezenas de canções censuradas em um par de anos, mas também um autoexílio em Nova York, em julho de 1974. Raul voltaria ao Brasil naquele mesmo ano em razão do sucesso do álbum Gita, com a qual amealhou seis discos de ouro, com mais de 600 mil cópias vendidas.

No velório de Raul Seixas, cerca de cem pessoas invadiram a cerimônia e, enquanto entoavam o refrão de “Sociedade Alternativa”, tentaram raptar o caixão com o corpo do ídolo, para que ele não fosse enterrado. Eles não acreditavam que o autor de “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, “Maluco Beleza”, “Metamorfose Ambulante”, “Tente Outra Vez”, “Ouro de Tolo”, “Canto Para Minha Morte” e tantos outros clássicos da música popular brasileira estivesse realmente morto. Decorridas três décadas da morte de Raul, a adoração em torno do músico só aumentou.

Em 2019, o musical “Merlin e Arthur ao Som de Raul Seixas: Um Sonho de Liberdade”, quis fazer uma conexão de duas artes mais que relevantes para o crescimento pessoal: a obra do baiano com a saga do mago Merlin e do rei Arthur.

Sua obra musical tem aumentado continuamente de tamanho, na medida em que seus discos (principalmente álbuns póstumos) continuam a ser vendidos, tornando-o um símbolo do rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os fãs nos últimos anos. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a lista dos cem maiores artistas da música brasileira, cujo resultado colocou Raul Seixas na 19ª posição e no ano anterior a mesma revista promoveu a lista dos Cem Maiores Discos da Música Brasileira, onde dois de seus álbuns: Krig-ha, Bandolo e Novo Aeon aparecem na 12ª e 53ª posição.

Entre as diversas músicas mais relevantes de Raul Seixas, seguem algumas:

  1. Maluco Beleza: é a música de Raul Seixas que mais tocou no país nos últimos anos e nela o compositor desabafa seu estilo de vida, meio maluco, meio lúcido e o caminho que ele escolheu seguir.
  2. Metamorfose Ambulante: com uma letra cheia de contradições, ela demostra bem a personalidade de Raul. Desapegado, curioso e aberto a novas ideias. Logo, a música é cheia de significados.
  3. Tente Outra Vez: essa não tem mistério e a mensagem é clara: se não der certo, tente outra vez. Isso mostra uma vertente motivacional de Raul.
  4. Gita: baseada em uma deusa da religião hindu de Krishna. Assim a deusa responde com metáforas como o céu, os animais e outras comparações.
  5. Ouro de Tolo: música composta na época da ditadura e o artista investe nas contradições.
  6. Cowboy Fora da Lei: country-rock que inclui comentários políticos.
  7. Meu Amigo Pedro: declaração de carinho e amizade. ‘Pedro onde cê vai eu também vou’.
  8. Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás: Meio Rockabilly, inspirada no Elvis, com referências à astrologia e acontecimentos históricos relevantes.
  9. Sociedade Alternativa: Fundada por Raul e Paulo Coelho na década de 70, retrata a utopia da irmandade, pensada para enfrentar o duro cenário militar.
  10. Carimbador Maluco: Também conhecida como Plunct Plact Zum contou com o texto de Pierre Joseph Proudhon (precursor do anarquismo moderno). O texto original afirmava que ser governado era ser dirigido, inspecionado, registrado, extorquido, dentre tantos outros verbos. Muitos fãs reclamaram por não conhecerem um Raul contestador e crítico que falava o que pensava em suas letras. No entanto, o texto original afirmava que ser governado era ser dirigido, inspecionado, registrado, extorquido, dentre tantos outros verbos.

Bar do Kaká- QG Raulseixista de SP

O Pop’s augusta, também conhecido como ‘bar do Raul’ é um bar localizado na rua Augusta há 38 anos e antes ficou conhecido como bar do Raul, devido à paixão do proprietário, Luiz Carlos, pelo cantor e compositor Raul Seixas. O estabelecimento tornou-se um ponto de encontro para quem curte um velho e bom rock. O antigo Pop’s Bar, do outro lado da rua (Augusta, 479) contava com mesas de sinuca e público ambiente.

Ricardo Rizzo, 53 anos, diz que parou no bar pois estava tocando Raul e ele o admira. Desde então virou frequentador e fez questão de reiterar um elogio ao dono: Kaká. Também fez questão de reiterar que no bar não precisa nem pedir pois sempre está tocando Raul.

Sidney Mont’Alegre Coelho, 60 anos, conhece o bar do Kaká há 23 anos e na época lembra que a Rua Augusta era totalmente diferente, pois não haviam baladas. O público era de boteco e ao mudar e retornar constatou a mudança do público que frequentava o bar, que antigamente não trabalhava com conceito algum. Ele reitera que há 20 anos o ambiente da rua não era de balada e com a mudança da Augusta tudo também foi modificado, como o público do local. Sidney também coloca que o amor pelo Raul Seixas não era explícito, como hoje em dia.

Luiz Fernando Correia, 37 anos, é carioca e está em São Paulo há dois anos, atualmente na Aclimação. Ele diz que buscava uma segunda casa na cidade e como bom fã de Raul descobriu o bar do Kaká antes da mudança, virou fã da Rua Augusta e no Bar do Kaká tem tudo que procura: vida noturna, cerveja gelada, um bom som, amigos aleatórios e atemporais. Logo, a simplicidade de momentos e aventuras na noite foi encontrada no Bar e na Rua como um todo e a atmosfera o atrai. Palavras de um carioca refugiado na metrópole: “São Paulo é uma cidade tão grande e a gente encontra nas coisas mais simples e improváveis uma espécie de segunda casa, sou fã desse lugar. Como carioca, nasci na baixada fluminense e sempre frequentei locais undergrounds, Na baixada e capital conheci o Garage (Garage Art Cult ou Garage foi uma casa de espetáculos da vida noturna brasileira) e o local retratava essa atmosfera de cerveja gelada, bom som, na rua/calçada e lugares inóspitos. Fazendo uma comparação, a Augusta é até mais elegante…rs. Mas a Augusta substituiu essa referência que eu tinha do Rio de Janeiro. Atualmente deve ser mais difícil encontrar algo com o mesmo layout, o que era mais fácil no final dos anos 90/2000. Sempre fui muito contracultural e buscava fugir do óbvio, procurando um contínuo marginal, o que encontro na Rua Augusta. No Rio, infelizmente essa cena se perdeu e ter encontrado isso na Augusta representou um alento pro coração. Sou muito fã do Raul, desde a adolescência, pois ele foi a primeira porrada, em termos de texto, música e representou meu primeiro ‘sacode mental’. Logo, virei fã do artista e da obra, pois além dele ser avesso à insistência dos fãs buscarem segui-lo tinha sua própria essência. Dessa forma, encontrar o Bar do Kaká foi muito gratificante, pois é muito difícil encontrar um lugar onde se perpetua a essência e obra do Raul de forma tão viva.

Segundo outros frequentadores o ‘Bar do Raul’ é considerado maravilhoso, pois a pessoa entra no clima e na alma do Raul. A alegria do ambiente é lembrada, assim como a alma revolucionária de Raul e os tributos anuais para o Maluco Beleza. Segundo Márcia de Souza, 54 anos, ‘Raul via a verdade em tudo, até nos nossos governantes. Como ele dizia: nós não vamos pagar nada. Mas infelizmente estamos pagando tudo’.

Ednaldo Torres Felicio-Ed, 44 anos, professor de Filosofia e Sociologia se considera ‘antes de todo esse rótulo’ um Raulseixista. Frequenta o Bar do Kaká desde 2010 e iniciou sua amizade quando o bar era do outro lado da rua, vendendo bebidas. Ele reitera que quando o endereço do bar era Augusta-479 a rua era diferente e tinha dois ambientes: com uma parte embaixo onde podia se encontrar retratado Raul e Corinthians: as duas paixões do Kaká. “Muitas vezes ficava na parte de baixo, onde discotecava para o público. Pode ser representado como QG do Raul Seixas e do Rock nacional na cidade. Essa foi uma época de muito Rock and Roll, onde juntos conhecemos Sylvio Passos e Vivi Seixas. Diversas vezes fechamos o bar juntos e tenho um conto que escrevi com o título: ‘O exu da Rua Augusta”, onde retratava que as pessoas iam ao bar para encontrar a luz que ele irradia na Rua Augusta. Estava presente quando a Prefeitura fechou o bar dele, uma grande maldade. Mas ele tem muita personalidade, persistiu e inaugurou do outro lado. Conheço ele há 9 anos e o dia que meu pai morreu vim chorar no Bar do Kaká e eu digo pra ele: todo homem precisa de um bar onde possa chorar, ser você mesmo. A cara da Augusta não são as danceterias, as casas das meninas e sim onde o Rock persiste. Esse bar representa um porto seguro da minha vida e tenho muita sorte de conhecer pois ele transforma. Eu e o Kaká fomos até a casa do Sylvio, vimos todo o Baú do Raul e foi emocionante. Resumindo, o Kaká é meu irmão, uma luz e um espírito sábio no meio das ‘trevas augustianas’. A mudança do endereço do Bar representou uma adaptação às novidades e o local é um bar de sonho no meio de uma floresta de concreto duro.

Sonia Barbosa, 44 anos, frequenta o Bar do Kaká desde 2000 e conhece Raul Seixas desde os 12 anos. Ao conhecer o local e passar a ser frequentadora do mesmo ela diz que seu amor pelo Raul aumentou e sua amizade com Luiz Carlo- Kaká e família também. Segundo Sonia, Raul Seixas era um visionário, causador e provocativo. Assim, os milhares de fãs de Raulzito precisam entender a mente, obra e inteligência que ele traz em sua obra: ‘Ele era inteligente e visionário’. Aqui no Bar do Kaká conheci diversos fãs de Raul e sempre indico o local para quem é fã de Raul. Desde que era do outro lado da rua já podia ser lembrado como um ‘QG Raulseixista’.

Caio Alexandre Bezarias, tem 46 anos, é professor de Português e conhece o bar desde 2012, mas também esteve quando o mesmo era do lado ímpar, do outro lado da rua. ‘Aqui eu me sinto muito acolhido e pode ser considerado uma segunda casa na noite’. Caio reitera o amor de Kaká pelo Raul Seixas e lembra do disco voador, presente no antigo bar. Ainda diz que o Bar do Raul deixa o seu espírito de liberdade presente de forma constante no ambiente e diversas vertentes são aceitas no bar. A mensagem subliminar passada pelo Kaká lembra o Raul, não podendo entender de forma 100% clara as mensagens que quer passar e isso é um elogio à Luiz Carlos. Segundo Caio, Kaká e Raul tem algumas coisas em comum, como: o espírito de acolhimento, todo mundo tem direito à sua loucura. ‘O Raul era a favor do espírito humano, da libertação e evolução do espírito humano e o Bar do Kaká acolhe todos com espírito livre’. Ao ser questionado sobre essa constante relação entre Raul Seixas e Anarquismo Caio diz: ‘Anarquismo era parte dele, mas não o todo. Ele passava pelo anarquismo mas ia muito além depois. Não podemos nos prender a nenhum dogma religioso, político, moral’. ‘As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor’ é lembrada a partir da seguinte letra: ‘eu já passei por todas religiões, filosofias, políticas e lutas. Aos onze anos de idade eu já desconfiava da ‘verdade absoluta’. E a ‘verdade absoluta’ seria que você não pode ter um dogma da ‘verdade absoluta’, você tem que ser livre e aberto para evoluir.

Ramiro dos Santos Filho, 58 anos, diz que sempre curtiu Raul Seixas e suas músicas influenciaram em suas ideias pessoais, com o pensamento inovador. Após conhecer o ‘Bar do Raul’, desde o outro lado da rua, passou a frequentar o ambiente sempre que possível e o indica para os fãs de Raul.

Luiz Carlos da Conceição Moraes, o Kaká, tem 46 anos, é baiano do sertão ‘Euclides da Cunha’ e ao vir para São Paulo em 1989 assistiu um show do Raul, que faleceu após dois meses. Sempre que ia para a Bahia fazia festas e em São Paulo passou a fazer camisetas do Raul. Após algum tempo fez camisetas com Raul e Marcelo Nova e um moço do fã clube do mesmo apresentou o Sylvio Passos e então passou a ser o Bar do Raul oficial-com uma estátua do Maluco Beleza. Há 5 anos o Bar do Kaká saiu do 479, foi para o 514 e passou a divulgar com mais força o amor por Raul Seixas. “Sempre que tem uma data especial, como aniversários, discos marcantes fazemos uma homenagem ao mestre. Na minha opinião, as músicas e letras do Raul fazem as pessoas refletir e ele representa a atemporalidade. Hoje as coisas estão tão paradas, que Raul continua sendo algo novo no atual mercado da música brasileira e o mestre vai demorar pra ser entendido, pois ele fazia uma união da magia, misticismo, entre outras coisas. Particularmente, sempre que escuto Raul as sensações são diferentes, por isso sou constante fã. Uma mensagem que Raul sempre deixou de forma clara, é: seja você mesmo, nada de robô e sim seres humanos pensantes”.

Ao falar da Passeata de Raul, Kaká reitera: eu fui desde a primeira e vem gente do Brasil todo e de vários lugares do mundo. Na minha opinião, esse é um acontecimento sem propaganda que concentra um número muito grande de pessoas para homenagear alguém depois de morto.

Isso retrata a grandeza do Raul, que traz letras lembradas até hoje por seu público. ‘O cara é atemporal e hoje o mercado da música está tão parado que Raul ainda representa algo novo a partir de suas letras. Diversas pessoas se identificam com Raul, pois ele apoiava o seja você mesmo e assim atraia diversos seguidores. Cada instante de sua vida Raul retratou a partir de uma letra, assim cada fã pode encontrar a trilha sonora de sua vida baseada em Raul Seixas.

“Cada vez que escuto Raul sinto de uma forma diferente e por isso continuo ouvindo até hoje. Ele deixou vários ensinamentos”. >Kaká<

Entre os diversos estados que representam o amor por Raul.

Sobre a Sociedade Alternativa: seja você mesmo; direito de ser ateu e ter fé; busque ser feliz e lute contra o seu maior adversário, que tende a ser você mesmo.

Diversos artistas se inspiram no Raul para fazer som, como Zeca Baleiro e Tico Santa Cruz, além de diversas bandas e artistas de outros países que se inspiram no saudoso Raul Seixas para mandar um som. No entanto, diversas bandas continuam se apresentando no Bar, como: Luar aos Avessos, Cachorro Urubu, Banda Ecologia, Cowboy fora da Lei-RJ, Rock Seixas Jundiaí, Luizito e os Malucos Beleza, entre outros.

Raul Seixas buscou retratar através da música cada instante específico de sua vida pessoal e a partir daí os fãs acabam estando em uma constante reflexão. Através de suas letras ele consegue sacudir mentalmente o público que o conhece e o segue de fato. Em sua essência Raul era avesso aos fãs buscarem o seguir e isso passou a atrair mais ainda o amor das pessoas.

Sylvio Passos

Sylvio Passos tem 56 anos, 46 de Rock and Roll e 30/40 de Raul. Se conheceram em 1981, ele ainda era menino: 17 para 18 anos e Raul resolveu sair do Rio de Janeiro e viver na zona sul de São Paulo. Inicialmente morou no Brooklin: rua Rubi, 26. Logo, Sylvio Passos anunciou no jornal que compraria tudo sobre Raul, pois estava montando um fã clube e esse foi o anúncio: ‘compro tudo que se refira a Raul Seixas, inclusive o endereço telefone da casa dele’. Assim, após um mês um cara do fã clube dos Beatles, Luiz Antonio do ‘Cavern Club’ passou o telefone do Raul e a partir de então a história de amizade começou.

Em 1981, ao ligar para a residência de Raul, imaginando ser a mansão do Elvis e era um modesto sobrado atenderam o telefone: “Queria falar com o Raul, aqui é o Sylvio”. Raul Seixas: ‘Silvio Santos, eu gosto do seu programa’. “Sou o Sylvio Passos, estou montando um fã clube para você e queria que soubesse disso. Raul: ninguém nunca fez um fã clube para mim, pode vir almoçar comigo?

“Assim, saí do Jaçana para a casa do Raul, cheio de camisetas do fã clube e fui recebido como se ele já me conhecesse há anos: Silvícola, seja bem-vindo. Nesse momento estava focado em viver uma vida convencional: trabalhava, estudava e pretendia ser Psicólogo ou Jornalista. Contudo, ao adentrar a casa do Raul minha vida mudou: larguei a namorada, emprego, estudos, família e fui seguir os passos de Raul. O atual SESC Consolação, antigo Teatro Pixinguinha contou com uma temporada de Raul, que na época já era famoso, após estourar com Gita em 1974: 600 mil discos vendidos na época. Ele retratava uma espécie de praga sonora, pois já estava em diversos meios, como: rádios, festas, parques, TV, entre outros. Contudo, ele não era como os outros cantores de MPB, por exemplo, e se fosse fazer uma comparação da popularidade com o mercado atual: a Anitta serve como exemplo. Dessa forma, o diferencial dele eram os textos e seu comportamento: o falar, temas de músicas e discursos. Já era algo que ajudava a retratá-lo como um ‘cavaleiro solitário’, não se inteirando em nenhum grupo dentro dos segmentos da música brasileira. Sua opção era ser solo, sempre, tinha um comportamento Rock and Roll, mas musicalmente era popular, o que não condizia. Assim, na ‘Philips’ a direção não sabia em qual selo encaixar o Raul e a partir daí ele vai para os medalhões, como Gil, Chico, Betânia e outros nomes da música brasileira.

O legal da obra do Raul é a autobiografia, com diversos pontos de vistas: filosóficos, políticos, entre outros, mas era tudo individual. Raul teve ao longo de sua vida 23 parceiros musicais e eu fui um deles, inclusive. Ele fazia uma soma de óticas e a obra do Raul traduz ele 100%, unindo sua dor e seu ponto de vista político, comportamental e sua obra é completa.

Segundo Sylvio Passos 10 músicas (seleção considerada difícil) que poderiam traduzir Raul Seixas (‘homem+artista’), mesmo Raul significando uma junção e personificação de ambas características, seriam:

Metamorfose Ambulante: gravada em 1973, no álbum Krig-ha, Bandolo! Une questões existenciais: se hoje te odeio, amanhã lhe tenho amor, vertentes filosóficas e o próprio Raul era uma metamorfose ambulante.

As Aventuras de RaulSeixas Na Cidade de Thor, gravada em 1974, no álbum Gita! Uma coisa meio literatura de cordel, cultura do nordeste, embora o Raul dissesse que não. E o interessante é que na abertura da música ele fala: ‘tá rebocado meu cumpadi, como os donos do mundo piraram, eles já são carrascos e vítimas do próprio mecanismo que criaram’.

>Mais uma vez falando para os donos do planeta<

Eu sou Egoísta do álbum Novo Aeon em 1975 e regravada no álbum Metro Linha 743 em 1984, que eu gosto mais. Ele pauta as questões religiosas, pois fala: onde eu tô não há sombra de Deus. Além disso fala de política e dele mesmo, sendo um egoísmo sem uma conotação pejorativa.

Loteria de Babilônia: gravação original em 1973e ‘maquiada’ em estúdio no álbum Gita. Acho que essa música retrata a vida de Raul: vai/grita ao mundo que você está certo…

Mas I Love You: Raul romântico, apaixonado e essa ele fez para a Kika Seixas. Cada mulher que ele teve retratou com uma música. Essa música mostra o lado humano e totalmente entregue de Raul.

Você: 1977, álbum O Dia em que a terra parou. Ele fala um pouco dele e da gente, se autoquestionando, o que fazia muito. ‘Você alguma vez se perguntou porque faz sempre aquelas coisas sem gostar, mas você faz, porque você faz?’

Não quero mais andar na contramão: gravada em 1988, álbum: A Pedra do Genesis. Música que retrata a relação de Raul com drogas e álcool. Ele já não queria mais saber dessas coisas e estava lutando contra os vícios.

Aluga-se o Brasil:gravada em 1980 para o álbum Abre-te Sésamo. Puramente política e o questionamento: o que fazem com o povo no Brasil? Aí a solução que ele encontrou na época era alugar o Brasil.

Maluco Beleza: Somos todos nós e era o próprio Raul. De 1977, a música fala por si só e transcende valores comuns.

Sociedade Alternativa: um grito de liberdade e Raul morreu acreditando na Sociedade Alternativa. ‘Vá, faça o que tu queres pois é tudo da lei. Todo homem tem direito de viver como quiser, de morrer como quiser. Raul morreu acreditando nisso e é isso.

Ditadura

Em 1973 Raul explode com Ouro de Tolo, Metamorfose Ambulante e a partir de então passaram a persegui-lo pelo seu discurso em defesa da população e isso foi praticamente até o fim da vida, pois a censura acabou em 88 e ele morreu em 89. A relação dos artistas com a ditadura não foi boa e ao mesmo tempo que havia a proibição surgia um combustível para a composição.

Sylvio: ‘a ditadura teve um lado interessante, que assim fazia os artistas buscarem fomas e maneiras mais inteligentes de se retratar perante a proibição, buscando assim driblar a censura. Mosca na Sopa é um exemplo de letra que retrata sobre aparecer para bagunçar o coreto e tal. Atualmente é cada dia mais difícil encontrar a genialidade dos compositores, hoje liberou geral’.

“Raul é um artista único, com uma obra única e assim afeta todos, independente da classe social e faixa etária. Como viajo pelo Brasil, vejo: vovô e vovó, crianças, famílias e todos assim enlouquecidos pelo Raul, que artista conseguiu isso no Brasil? Todos os dias têm evento em algum local do Brasil e não existe artista que tem uma passeata anual e estou nisso há 30 ou 40 anos. Meu trabalho é manter a obra dele viva. Raul me apresentou para toda sua família e após sua morte tenho total conexão com sua obra. Lancei um disco independente com Raul ainda vivo, não fazem nada no Brasil sobre ele sem me consultar e não é imposição minha. Virei a referência. Quando ele morreu o Brasil inteiro veio me procurar, como donos de gravadoras, editoras e a partir de então joguei meu trabalho convencional para cima e hoje vivo artisticamente, graças ao Raul. Eu trabalho em prol da memória de Raul, seu público e entre os mesmos você encontra diferentes tipos: os RaulSeixistas e os Xiitas. É um hospital de maluco e diversas pessoas fizeram o Raul virar um mito, que une verdades, inverdades e histórias malucas”.

‘Existe um aumento considerável do público do Raul (geração de 50/60 e 20/25 anos). Para eles o Raul não morreu mesmo e para mim meu amigo morreu, aquele cara que tomava cerveja junto, mas o ídolo está aí até hoje. O ídolo não morre, o que morre é o indivíduo. O artista é conceitual e eterno.

A influência de Raul Seixas para os artistas foi imensa e alguns deles assumem isso, como: Zeca Baleiro, Zé Ramalho, Raimundos, Tico Santa Cruz e Detonautas, entre outros. Diversos segmentos das artes e cultura declaram que Raul influencia muito na arte de forma geral. Muitos artistas são influenciados por Raul e buscam alcançar a constituição de uma bela obra pelo ‘Maluco Beleza’. Sylvio fala sobre artistas que utilizaram a obra do Raul em musicais, através de trilhas implícitas ou explícitas. Todos os segmentos culturais do Brasil o explicitam e Jornalistas contemporâneos e mais jovens fazem questão de explicitar a grandeza de Raul, através de sua obra.

Segundo Sylvio Passos, Raul Seixas era um anarquista convicto e sua posição assumida era pública e clara. “Os anarquistas são mais felizes” Ao mesmo tempo que ele era um kamikaze, um suicida ele era genial demais, era muito maior do que ele mesmo, transcendia”.

‘Raul Seixas e Paulo Coelho’

‘Segundo Sylvio, ele representou o parceiro mais emblemático de Raul e existem muitas histórias envolvendo os dois: as pessoas dizem que nunca foram amigos. Mas ninguém vai ficar compondo durante cinco anos praticamente se não tiver nenhum grau de amizade e dois assumiam que eram amigos e inimigos. Eles nunca deixaram de se falar e lembro que em 87-88, quando o Paulo lançou ‘O Diário de um Mago’ o Paulo veio trazer o livro até a casa de Raul, no Butantã. Em 82 Raul morando em Copacabana pediu para que passasse um fim de semana e Raul morava há algumas quadras dele. Enfim, eles sempre se falaram, mas o universo do Paulo nunca foi a música e sim a Literatura. O Raul ensinou para o Paulo que ele devia falar para as massas, então Paulo escreve para quem quer se inciar, algo introdutório. Os que o malham não entenderam isso e recentemente o Jornalista Jotabê Medeiros escreveu um livro e para mim isso representou Marketing puro, dizendo que Raul entregou Paulo a ditadura e depois Paulo critica Jotabê na mídia. Dessa forma, macularam a imagem de Raul e até hoje falam disso’.

Segundo Sylvio Passos, dicas para conhecer o Maluco Beleza mais a fundo!

Se você quiser se introduzir no universo do Raul, eu recomendo: O Baú do Raul revirado, de Silvio Essinger:
E ‘Raul Seixas por ele mesmo‘, Sylvio Passos:

Raul morava na Rede Eldorado de Hotéis e ficava num Aparthotel na Rua Frei Caneca, 1100 em 1983. Cinco anos depois voltou a morar na Frei Caneca e Sylvio ajudou na mudança, onde ele compôs uma música: Você roubou meu videocassete, que está no álbum: A Panela do Diabo. O ocorrido foi real, pois a mudança era do Butantã e em uma viagem com a mudança Raul Seixas percebeu a ausência do videocassete. Logo saiu a música. Ele gostava muito dessa região e esse foi o último endereço do Raul em São Paulo, pois foi direto para o cemitério em Salvador: Jardim da Saudade.

Sobre a Passesata do Raul, Sylvio retrata que ela existe desde antes da morte de Raul. Em 1986 um cara tinha uma loja na Galeria do Rock, que era um fã clube também e ele resolveu fazer uma passeata para promover a loja. No entanto, as más-línguas falavam que Raul estava mal e assim foi uma união de convicções. Contudo, com a real morte de Raul ficou sacramentado que todo dia 21 de agosto, independente do dia da semana, tempo e afins os fãs de Raul se unem no Teatro Municipal e vão até a Praça da Sé.

“O incrível é que vem gente do planeta terra inteiro. A maioria é do Brasil, de todos os estados, mas você sempre encontra gringos, já encontrei várias vezes: argentinos, portugueses, japoneses, franceses, espanhóis, entre outros”. Isso demonstra que Raul Seixas é conhecido mundialmente e fazendo uma comparação com a atualidade, por exemplo, a Anitta, teve todo um mecanismo para que ela fosse conhecida, diferente do Raul. Isso é um exemplo de que os próprios fãs auxiliam na divulgação e conhecimento da arte de Raul. Quando fundei o fã clube em 1981, recebia cartas da Inglaterra, da Europa, de Portugal, dos Estados Unidos, Japão e alguns eram brasileiros, mas outros eram nativos dos países”.

“No dia que entrei na casa dele, com 17/18 anos de idade já sabia o que fazer e com a morte dele tinha duas opções: ou seguia sendo um cidadão normal, no universo corporativo ou ia para o universo alternativo, que é mais minha cara. A partir daquele dia abracei a história e mesmo sem auxílio financeiro a paixão foi maior e mantém isso até os dias atuais. Creio que consigo passar isso para as pessoas e quem visualiza com bondade está ciente. Graças a essa minha paixão e dedicação abnegada”. Essa seria uma espécie de responsabilidade afetiva. A partir de uma longa conversa com Sylvio ele diz que teve o privilégio de ser amigo nos últimos 8/9 anos de vida de Raul Seixas e sente que faz o que faz por uma espécie de missão para continuar isso. ‘O representante de Raul é ele mesmo e eu apenas ajudo a manter a chama acesa. Tem uma passagem bíblica que Jesus falou: se em algum lugar duas ou mais pessoas estiverem falando de mim, lá estarei. O Raul é a mesma coisa e enquanto existir um grupo de pessoas falando dele, lá estará’.

Sylvio Passos se considera um pequenino representante de Raul, no meio de outros artistas e músicos. No entanto, o aprendizado que Sylvio diz ter sentido com o Raul foi de extrema relevância para o seu eu, através de conhecimentos e verdades. ‘Resumindo, Raul Seixas me passou uma simples e de extrema importância base: liberdade. Olhar o mundo por diversos ângulos, não apenas um. Todos são reais e mentirosos, a verdade estará com aquilo que você escolher. Acredite em tudo e não acredite em nada’. Esse nó que esse tipo de pensamento propicia é extremamente relevante.

Sobre a atual situação política nacional Sylvio Passos diz que Raul Seixas se colocaria como um monge budista: prefiro calar-me e ficar somente em mim mesmo. Estou em outra esfera.

Não existe um representante de Raul Seixas na terra”

Raul virou universal sem um mecanismo do sistema”

Passeata do Raul


‘Kaká, Ed e Lucas-filho do Kaká’

>>>Frases emblemáticas de Raul<<<

Meu maior medo não é morrer e sim ser esquecido”

Só há amor quando não existe nenhuma autoridade”

A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal”

A desobediência é uma virtude necessária à criatividade”

Meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”

Se eu fosse burro não sofria tanto”

Vote nulo, não sustente parasitas”

A verdade é que Jesus está em minhas músicas”

As pessoas não morrem, só acordam do sonho da vida”

Viva a Sociedade Alternativa”

O povo brasileiro não tem tempo para ler, anda muito ocupado para poder pensar”

A arte é o espelho social de uma época”

A frieza do relógio não compete com a quentura do meu coração”

A Sociedade Alternativa é a chave da felicidade”

Jogue as cartas, leia a minha sorte, tanto faz a vida como o morte. O pior de tudo eu já passei”

Minha cabeça só pensa aquilo que ela aprendeu…por isso mesmo, Eu não confio nela, Eu sou mais eu…”

O problema é muita estrela pra pouca constelação”

A mídia agora é nosso Aiatolá”

Luar é meu nome ao avesso, não tem fim nem começo”

Minha espada é a guitarra na mão”

Tente outra vez…”

Após mudar de local o bar continuou a retratar o amor por Raul Seixas e até aumentou em estrutura.

Estátua do Raul Seixas

“Medo da Chuva” (1974) – Raul Seixas e Paulo Coelho

“Bruxa Amarela” (1976) – Raul Seixas e Paulo Coelho

Feita especialmente para Rita Lee, a música foi gravada pela então vocalista da banda Tutti Frutti, no disco lançado pela banda em 1976.

Fontes: YouTube; Site ‘O Tempo’ ‘Memórias da Ditadura’; letras.mus.br; Wikipédia; Revista Fórum; Kit Raulseixista- Raul Rock Clube: Raul Seixas oficial fã clube e pensador.com

Raul Seixas fala sobre “NA RODOVIARIA”