Mercado Musical no Brasil

Movimento que engloba públicos específicos retrata a inovação e atualidade***

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O crescente investimento no setor cultural trouxe novas possibilidades da gestão de projetos na área, que abrange diversos mercados. Em sua história o país passou pela reestruturação pós 1964, a partir da reconstrução do sistema político. Houve a implantação de uma política de desenvolvimento econômico e a abertura do mercado para a crescente ‘indústria cultural’, que aconteceu nos moldes do capitalismo internacional. Assim, com a democratização da cultura no país e a abertura do mercado, houve o crescimento dos mecanismos de comunicação em massa. Um grande e relevante exemplo disso é o fortalecimento dos conglomerados televisivos no país.                                                                                 

As diversas áreas culturais abrangem: dança, teatro, cinema, música, literatura e outras manifestações artísticas. Elas também podem ser encontradas nas ruas, como acontece na Avenida Paulista. Com o aumento da circulação pela região à noite, artistas fazem a execução da ‘arte de rua’ servir como um sustento. Desde que ganhou novas calçadas e iluminação a via atrai visitantes noturnos. Assim, músicos, cantores, dançarinos e pintores transformaram a Avenida em um festival a céu aberto, onde é possível encontrar apresentações de rock, jazz e blues, por exemplo.

Ao acompanhar os artistas que se apresentam no local, podemos acompanhar que os mesmos se apresentam por prazer e recebem algum dinheiro daqueles que passam e apreciam o espetáculo. Logo, esse pode ser um exemplo que representa um meio de vida alternativo: prazeroso e com leves dificuldades. Se o mercado em foco for o Rock, um documentário de 2012 retrata a cena da época que perdura até hoje. Ele traz a experiência de diversos músicos brasileiros que estão na batalha do mercado.

 ‘Eu toco Rock n’ Roll’ mostra os maiores desafios que as bandas enfrentam, além de suas dificuldades. Afinal, o rock já chegou no ‘mainstream’ há décadas, mas hoje está um pouco distante daquela veia mercadológica. Alguns ícones e estudiosos do rock nacional como Paulão (Velhas Virgens), Rodrigo (Dead Fish), Roger (Ultrage a Rigor), Jimmy (Matanza), Derrick Green (Sepultura), Pablo Miyazawa (Editor-chefe da revista Rolling Stone Brasil), Paulo de Barros (Radialista- primeira equipe da Rádio Rock) entre outros, comentam o tema. A base retratada se baseia na possibilidade de viver de rock no país do samba, pagode, sertanejo, bossa nova e tantos outros estilos enraizados em nossa cultura.

O Jornalista e Radialista da Rádio 89, Roberto Maia, escreve para jornais, sites e está na área de Jornalismo Cultural-Musical há 30 anos.  Sobre o mercado nacional do Rock: “é algo que nunca acabou no mundo inteiro e desde que surgiu é uma espécie de veículo de comunicação e expressão do jovem”. Ele lembra que desde o surgimento o mesmo nunca acabou em todo mundo, pois é um veículo de comunicação e expressão.  “Aqui no Brasil existem ciclos com maior ou menor evidência, mas nunca acabou e atualmente vive uma boa época, principalmente pela volta da 89 FM, que é um símbolo da área. A resposta do público foi muito boa e isso mostra que é um tipo de assunto que ainda funciona muito, além de ser muito importante para os jovens e a cultura popular de um jeito geral”. Ao ser questionado sobre o documentário ele diz: “todas as abordagens são muito interessantes, pois o Rock and Roll desperta nas pessoas a paixão, pois é uma música que nasceu do jovem e todo o espírito jovem é muito apaixonado. Qualquer manifestação seja ao escrever um livro ou fazer um documentário significa uma explosão de sentimentos que é explícita”.

Segundo Maia, viver de arte em qualquer segmento é muito difícil e as pessoas que continuam fazendo isso são muito apaixonadas. Ele cita a economia criativa, na qual você dá valor a um tipo de arte como produto e à medida que o Brasil entender isso tudo pode melhorar no sentido artístico. “Outros países exportam a cultura como produto de mercado e o Brasil nem pensa nisso, isso é uma falha muito grande. Isso é uma falha do nosso conceito cultural, uma coisa da nossa economia”. A partir disso, podemos acompanhar as mudanças que cercam também o mercado fonográfico, que hoje investe muito mais nos serviços on-line. Essa inovação pode representar o resultado da transição do físico para o digital e um belo exemplo seriam os sites de streaming, que oferecem músicas gratuitas e torna tudo mais fácil. Essa constatação apenas retrata as mudanças que cercam diversos mercados culturais, entre eles, o musical.

No Blog: http://coletivoculturaldefarroupilha.blogspot.com.br (Coletivo Cultural de Artistas Independentes) o Documentário de 45 minutos está disponível gratuitamente. Como em outras páginas, por exemplo: Youtube, Vimeo, entre outras. Ao falar sobre o mercado nacional Roberto Maia frisa: “hoje só existe modismo, com enchente de um determinado estilo e assim você nunca segmenta nada”. Sobre o mercado independente ele diz: “hoje em dia é muito difícil separar o independente do dependente, todos sobrevivem do seu trabalho e da sua estrutura em cima do trabalho. Atualmente muitos têm um modo de vida independente, vivendo das artes e do rock. E parabenizo todos àqueles que militam pela questão cultural e as pessoas deveriam enxergar a importância da cultura e da sua expressão através daqueles que divulgam”.

Dessa forma, o retrato da opinião de alguns músicos e de um profissional da área, condiz com uma vertente do mercado musical no Brasil hoje em dia. Repleto de modismo, com enchente de um determinado estilo e pouca naturalidade. Assim, a existência de alguma segmentação que tenha valor e importância tem se tornado cada vez mais rara.

[Publicação de 27/07/2015]

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