David Bowie: o camaleão do rock

Starman

Incomparável na arte de transformação o músico inglês, vítima de câncer, se recriou inúmeras vezes ao longo dos 69 anos de vida. Da pré-psicodelia da estréia ao free jazz e flerte com o eletrônico do último álbum, Bowie experimentou e criou tendências. Sob as influências do Soul, Jazz, Rockabilly (Little Richard e Elvis Presley), Folk (Bob Dylan), Invasão britânica (The Beatles, The Who e The Kinks), Rock progressivo (Pink Floyd), Proto punk (The Stooges e Velvet Underground) e Eletrônica ele fez sua carreira musical. Desde que o rock existe a ambiguidade sexual e a figura idílica da criatura andrógina são usadas com a intenção de se criar uma persona ou vender uma atitude. Ele também utilizou o glam rock; abreviação de “glamour rock”, subgênero que provocaria uma explosão criativa nos anos 1970 e reverberaria na cultura pop até a primeira metade da década seguinte. Esse contexto surgiu no Reino Unido no início dos anos 1970, como uma extensão das cenas psicodélica e de art-rock inglesas nascidas na década anterior. Junto com o rock progressivo, pode ser considerado o último momento de originalidade genuína do rock, porque a partir do punk o gênero passaria a se alimentar de si mesmo para sobreviver. O glam rock foi muito popular na Inglaterra, mas teve efeito moderado nos Estados Unidos.

Esse estilo de rock teve importância, já que praticamente ajudou a definir como seriam os anos 80, com todo seu exagero e mau-gosto. Foi fundamental para o surgimento do pós-punk, dos góticos e dos new romantics. Exemplos relevantes e mais populares são: Alice Cooper, Elton John e Slade. Ele inicia sua carreira em 1967 com o álbum Debut, cheio de baladas singelas e músicas teatrais e folk. Em 1969, com Space Oddit foi muito influenciado por Bob Dylan e em 1970 o disco ‘The Man Who Sold the World’ representou uma forma perfeita para entender a personalidade do inglês. Ele lançou praticamente um álbum por ano até 1984 e cada um deles trazia sua vida no momento e isso podia ser retratado em seu som.

Como exemplo pode ser relatado: Bowie mergulha no funk, disco e assim também na cocaína, a influência da música eletrônica alemã e a era Berlim. Nessa fase o cantor foi retratado como aparência de estar ligado no piloto automático. Depois de iniciar a década de 90 comandando sua banda de hard rock chamada Tin Machine, Bowie retorna à velha forma e volta a produzir os próprios álbuns. Em 1999 com o álbum ‘Hours’ o cantor mostra que chegara num nível de maturidade musical e em 2003 lança o álbum ‘Reality’, último disco antes da pausa de Bowie para cuidar da saúde.

Em 2013 o grande retorno do artista foi através do álbum ‘The Next Day’ que pegou de surpresa até sua Assessoria de Imprensa e o trabalho concorreu ao Grammy de melhor disco de rock. O último disco de Bowie foi uma pérola jazzística, inovadora e reveladora. Um álbum sombrio e que flerta com a ideia da morte e do fim.

Alguns discos emblemáticos podem servir como exemplo de sua estrondosa e relevante carreira e são eles:

  1. ‘Life on Mars’: Com um arranjo de cordas e pianos feito pelo compositor inglês Rick Wakeman, a canção mostra a melhor versão de Bowie como cantor.
  2. ‘Heroes’: Do álbum de mesmo nome (1977), é uma das primeiras músicas claramente “comerciais” de Bowie.
  3. ‘Space Oddity’: Resultou de uma colaboração com o cantor inglês Elton John e o produtor inglês Gus Dudgeon.
  4. ‘Starman’: Converteu-se no primeiro grande sucesso de um álbum muito celebrado não só pela crítica, mas também pelo público.
  5. ‘Ashes to Ashes’: Foi um êxito em todo o mundo.
  6.  ‘Rebel Rebel’: Foi o último single de Bowie em sua era Glam-rock. Foi um grande sucesso e poderia ter repetido essa fórmula durante anos, mas decidiu buscar novos rumos.
  7. ‘Fame’: nesse momento o músico estava em Nova York, onde conheceu o ex-Beatle John Lennon e ambos começaram a tocar juntos. Assim, certo dia foram gravar no célebre Eletric Lady Studios.
  8. ‘Let’s Dance’: O solo de guitarra no final é interpretado pelo músico americano Stevie Ray Vaughan, um herói do blues que morreu em um trágico acidente de helicóptero em 1990. Let’s Dance se transformou em um hino dos anos 1980.David Bowie se apresentou em diversos países. Os EUA foi o país onde o artista mais se apresentou, com 473 shows, seguido pelo Reino Unido, com 293. No Brasil foram 7 shows: 4 em 1990 e 3 em 1997.

    STAR

    ***O Glam rock***

    Abreviação de glamour rock, esse subgênero do rock provocaria uma explosão criativa nos anos 70, que reverberaria na cultura pop até a primeira metade da década seguinte. Ele surgiu no Reino Unido no início dos anos 1970, como uma extensão das cenas psicodélica e de art-rock inglesas nascidas na década anterior. Junto com o rock progressivo, pode ser considerado o último momento de originalidade genuína do rock, porque a partir do punk (que viria depois) o gênero passaria a se alimentar de si mesmo para sobreviver. O glam rock foi muito popular na Inglaterra, mas teve efeito moderado nos EUA.

    Sobre o visual esse foi o auge do uso da teatralidade para criar ambiguidade sexual. Um grande exemplo é o teatro cabaret, que utilizava as literaturas vitoriana e de ficção científica. O glam rock praticamente ajudou a definir como seriam os anos 80, com todo seus exageros e mau-gosto. Foi a pedra fundamental para o surgimento do pós-punk, dos góticos e dos new romantics

    Para exemplificar artistas do glam rock escute as canções de Alice Cooper, Elton John, Garry Glitter e New York Dolls, por exemplo.

    Sobre a discografia de David Bowie ele utilizou como base um caldeirão de influências, um conhecimento enciclopédico de música e literatura e um forte senso de estilo. Mutante e camaleônico, ele anteviu tendências e abriu novos atalhos no rock. Seu último álbum: Blackstar- 2016 representa uma pérola jazzística, inovadora e reveladora.

    Cerca de 150 mil cópias de ‘Blackstar’ foram vendidas em apenas uma semana após a morte do ‘camaleão do rock’ e pelo menos 19 álbuns de David Bowie entraram na lista dos 100 mais vendidos das listas britânicas. Nomes como Mick Jagger, Paul MacCartney e Elton John vão se unir para prestar um tributo a David Bowie. No início o espetáculo seria uma homenagem aos 69 anos do cantor, mas com a morte do britânico a proposta foi alterada. A apresentação será realizada no dia 31 de março, no Carnegie Hall, em Nova York.

RebelRebel

Fontes: O Estado de São Paulo, Infograficos Estadão e BBC Brasil

[ Publicação de 20/01/2016]

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